| Zazen
Yojinki
"Zazen não se baseia em
ensinamento, prática e realização. Ao contrário:
ensinamento, prática e realização estão
todos contidos em Zazen. Avaliar a realização com
base em alguma noção de iluminação não
é a essência do zazen. Praticar baseando-se em se aplicar
com esforço não é a essência do zazen.
Ensinamento baseado em se libertar do mal e cultivar o bem não
é a essência do zazen.
No Zen há ensinamentos, mas
não o ensinamento comum. Zen é apontar diretamente,
expressar o Caminho, falar com todo o corpo. Tais palavras não
são sentenças nem frases. Onde os pontos de vista
terminam e os conceitos são exauridos, a palavra única
permeia as dez direções sem perturbar nem mesmo um
fiozinho de cabelo. Este é o verdadeiro Ensinamento dos Budas
e dos Ancestrais Iluminados.
Embora falemos de "prática",
não é uma prática a ser feita. Isto quer dizer,
o corpo não a faz, a boca não recita, a mente não
fica pensando e pensando, os seis sentidos são deixados à
sua própria claridade e não são perturbados.
Não são os dezesseis
estágios de prática dos ouvintes do Dharma (sravakas).
Nem é a prática da compreensão da corrente
de doze elos da origem dependente dos que praticam sozinhos, isolados
(pratyekabudas). Também não são as
seis perfeições, os seis paramitas, nem as inúmeras
práticas dos bodhisatvas.
É sem esforço, sem luta,
e por isso chamado de Acordar ou Iluminar.
Apenas descansar no Samadhi da apreciação própria
de todos os Budas, alegremente percorrendo as quatro práticas
de paz e de bençãos dos bodhisatvas, não é
esta a inconcebível e profunda prática dos Budas e
Ancestrais Iluminados?
Embora falemos de "realização",
esta não se apega a si mesma como sendo "realização".
É a prática do samadhi supremo conhecido como não-nascido,
não-obstruído, espontaneamente surge a Compreensão
Superior. É o portal de claridade suprema que se abre na
realização do Tathagatha (aquele que vem e vai do
assim como é), nascendo da prática do grande bem estar.
Vai além de sagrado e profano, além de delusão
e sabedoria. Esta é a realização da insuperável
iluminação como nossa própria natureza.
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