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Zazen dos pernilongos

Hoje senti o Buda da felicidade do meu lado. Dei de comer a pernilongos, e sorri por dentro. Dei de beber à vida, e por ela fui bebido. Imóvel, mas lutando internamente contra o ato-reflexo imediato e automático - matar. Mas, se matasse o primeiro, passaria então todo o zazen matando pernilongos? Mas se fui até o templo para ficar sentado, imóvel, atento à respiração, deixando a mente observar e perceber sem julgar, pois então como matar pernilongos?

Não, nem um, nem unzinho... E não há mérito nenhum nisso, apenas tentativa de perceber que a vida flui, e temos escolhas, e fazemos escolhas, e podemos reagir atacando e matando ou entregando o que temos de mais precioso, o amor. Amei ser comido pelos pernilongos! Porque depois do momento inicial de quase irritação, quase raiva, quase "não acredito que isso tá acontecendo", o que senti foi plenitude de estar nesta vida e ser parte de todos os mínimos momentos de existência. Únicos, sempre. Único. E então era como se a respiração tomasse conta de todo o corpo, e os pernilongos – vários! Nos cotovelos, pescoço, orelha direita, lado esquerdo do nariz, testa, sobre a sobrancelha, no dedo do mudra cósmico – ah, os pernilongos eram parte desse corpo, e a cada inspiração, e a cada expiração, eu percebia a sutileza do calor que se formava a cada sugada, a coceira, a pele respondendo, o corpo dizendo tô vivo e dou vida! E tudo se tornou uma pulsação só, um sangue só, um zumbido só. Um dia daremos de comer aos vermes; pra quê esperar tanto? Vamos dar de comer aos pernilongos! O Buda da felicidade, assim, renasce e vive em nós!

Gashô!

Axé!

Viva!

(Antonio, praticante das quintas feiras - Zazen para Iniciantes - no Zendo Brasil - SP)

 

Comentarios  

 
0 #9 2010-11-19 15:25
Antônio, que insight maravilhoso tirado de um fato corriqueiro da vida,um fato simples que como todos os outros na nossa existência, merecem ser observados com plena atenção. Há grande profundidade espiritual no seu relato e confesso que me emocionei bastante. =)

Que todos os seres possam se beneficiar, pois como disse o Buda "Eu e todos os seres da grande terra, nos tornamos juntos e simultaneamente o caminho iluminado", inclusive os pernilongos =P
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0 #8 2010-11-07 09:45
Citando denise vida:
poxa.....eu tambem servi de refeição para os mosquitos quinta feira....mas não pensei em mata-los,...apenas desviaram minha atenção e no mesmo momento ja pensei em vir com uma roupa que me proteja um pouco mais deles na semana que vem!!! ;-)

Está é a melhor saída
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+1 #7 2010-11-05 23:53
poxa.....eu tambem servi de refeição para os mosquitos quinta feira....mas não pensei em mata-los,...apenas desviaram minha atenção e no mesmo momento ja pensei em vir com uma roupa que me proteja um pouco mais deles na semana que vem!!!
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+1 #6 2010-10-30 20:09

Antonio, Maravilha de relato.
Muito divertido e de uma sacação incrível.
Mas é bom sempre alertar para o perigo das doenças como dengue e febre amarela que são transmitidos por estes insetos.
Para não correr o risco de perder a concentração ou começar a esbofetear a si e aos amigos, vamos agir na prevenção evitando a infestação dos mosquitos.
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0 #5 2010-10-24 23:01
Nosssssa! Estou tentando não mandar meu vizinho "catar-coquinho" porque ele está o dia inteiro com o som alto, eacho que tenho auto-controle! Essa do pernilongo foi demais! Mas sua observação foi ainda maisimpactante pra mim!Gostaria de ter essa visão do mundo.... abraço e parabéns!
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0 #4 2010-10-22 16:30
Caro Antonio , a sua viagem com os pernilongos foi pura sacação! maravilha!
Não sei se teria esta atitude, mas derepente me me vi chorando compulsivamente de felicidade.Acho que "desvendei " o Koan dos pernilongos.
Continue atento,

Ivan
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0 #3 2010-10-17 13:36
Nossa!
NA MINHA OPINIÃO:
Parece coisa iogue indiano! O próprio sidharta teria concluído a ineficácia do auto-flagelo. Isso nao tem sentido. Temos limite para a dor, limite para a falta d'água, limite para a concentração...
Experimente o caminho do meio, dentro do qual a vida se move. E por favor, não vá meditar próximo a caixas de abelhas!
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0 #2 2010-10-07 22:14
Obrigado, Lucas!
Gassho
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0 #1 2010-09-30 19:45
Muito bom seu relato. Também já tive essa experiência. No começo incomoda, são tantos anos de matança de pernilongos que o corpo/mente ficam confusos e irritados com uma nova postura diante dos pernilongos famintos. Mas é maravilhoso o momento da descoberta. A descoberta que você está doando sangue/alimento para outro ser.
Parabéns Antonio.
(Lucas, estou começando a praticar de quinta, no Zendo Brasil -sp)
Gashô!
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