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Simone Pessoa, jornalista
A palavra Monge traz em si uma aura de mistério, de curiosidade. Quando se trata do feminino de monge, o interesse fica ainda mais aguçado. Nesses dias, esteve sem alarde na cidade uma monja budista: Monja Coen. Cabeça raspada, quimono branco, sandália havaiana. Sem cabelo, sem brinco, sem batom ou qualquer sinal de vaidade. À figura andrógena da Monja se poderia atribuir 48, 58, 68 ou 128 anos, se consideramos seu grau de maestria. Depois de uma vida profícua aqui no Brasil, ganhou o mundo em busca de maior significado existencial. Em sua trajetória monástica, viveu diversos anos no Japão, Europa, Estados Unidos e amealhou uma bagagem de experiência que a fez alçar um patamar de sabedoria e espiritualidade de dar fôlego
. A voz mansa alterna-se ao timbre enérgico para compor a fala arguta, profunda e imantada que nos cativa completamente a atenção. Histórias e testemunhos são relatados com graça e inteligência. Quando nos damos, estamos totalmente envolvidos pela atmosfera que a palavra da Monja evoca: um misto de suavidade, pela forma e contundência, por revolver conceitos. Por uma cultura de paz, prega a Monja o desapego, sem a aversão. Diz que é importante ter conforto sem ostentação, desde que se esteja consciente de que tudo nessa vida é passageiro. Sobre a sociedade capitalista, defende que não se deve sentir culpa por possuir, por exemplo, uma casa, ou um carro, afinal, para tanto, muito emprego e renda são gerados. E nada de murmúrios e lamentações inconseqüentes.! Segundo a Monja, em vez de reclamar, devem-se buscar soluções. Sobre raivas irritações, invejas, enfim as feras que co-existem em todo o ser humano, ela propõe que aprendemos domá-las. Não as devemos ignorar, mas podemos conviver pacificamente com elas, assegura a Monja. E o melhor caminho da hora da emoção destemperada é respirar, respirar e se observar. O autocontrole acaba se tornando natural e a reação negativa se esvai. Asfalto, prédio, carro, gente, tudo para ela é meio ambiente e precisa ser cuidado com responsabilidade. Pois o que fazemos conosco, com o outro, com as coisas está interligado e refletirá em nossas vidas. Por fim, a Monja assevera que todos somos especiais. Cabe a nós descobrir o sagrado que existe em cada um, naquele que passa, naquele que fica, em mim, em ti, leitor.
Simone PessoaSimone Pessoa |
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