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John Daido Loori, 78, Abade Zen e Fotógrafo, Morre

Por DOUGLAS MARTIN do New York Times, 10/10/2009
Traduzido pelo Zendo Brasil

John Daido Loori, um fotógrafo que descobriu que tirar uma foto espelhava o instante da iluminação espiritual, inspirando-o a começar um influente mosteiro Zen nos Catskills, faleceu na sexta-feira no Monte Tremper, em Nova York. Ele tinha 78 anos.

A morte se deveu a complicações do câncer de pulmão, como reportou sua assistente Vanessa Zuisei Goddard.

Além de ser abade do mosteiro que fundou, Abade Loori também criou uma ordem Zen mundial, era um fotógrafo e professor respeitado, e escreveu 20 livros sobre Budismo e arte.

Ele será enterrado no cemitério de seu Mosteiro Montanha Zen, em Monte Tremper, onde a cada ano uma cerimônia dos “Fantasmas Famintos” honra os mortos. Em 49 dias, de acordo com a crença budista, ele reencarnará. É então que acontecerá o funceral, disse a Sra Goddard.

Embora haja muitos centros Zen, alguns até maiores, Abade Loori criou uma das poucas ordens Zen com base nos Estados Unidos que também tem membros desde o Brooklin até a Nova Zelândia. Ele publicava uma revista trimestral de 120 páginas e oferecia instrução Zen pela internet, e em uma estação de rádio online, (WZEN.org).

Ele criou um instituto para aplicar os princípios Zen a assuntos ambientais, esperando aproximar as pessoas da “inteligência inerente da natureza selvagem”. Ele também iniciou um programa para ensinar Zen a presos.

Abade Loori aplicava regras estritas tanto para monges quanto para visitantes de final de semana. Ele guardava tradições como a maneira Zen precisa e meditativa de comer, e décadas atrás produziu um vídeo deste ritual que é amplamente utilizado em círculos budistas.

No entanto, para os milhares que vieram a seu mosteiro, ele oferecia não apenas as instruções esperadas em tradições como o Arco Zen, mas também em tópicos como espiritualidade gay e lésbica. E ao contrário de muitos praticantes budistas tradicionais, ele promovia mulheres a líderes de centros Zen.

Richard Seager, autor de “O Budismo na América” (1999), disse em uma mensagem de email que o Abade Loori, que se autointitulava um “conservador radical”, merecia crédito por ter “cuidadosamente retrabalhado” o Zen Budismo japonês em um contexto norte-americano. Alguns dos cânticos eram em inglês.

“Ele é certamente representativo, se não criticamente importante, para o Budismo ter vindo aos Estados Unidos”, escreveu.

John James Loori nasceu em 14 de Junho de 1931 em Jersey City e foi criado como católico. Seu brinquedo favorito eram uma câmera Brownie. Ele forjou um certificado de nascimento para se juntar à Marinha quando tinha 16 anos e serviu em um porta-aviões. Trabalhou para uma compania que produzia sabores artificiais, enquanto frequentava a Universidade Monmouth, Rutgers e o Instituto Politécnico do Brooklin.

Durante os anos 1960, sentiu que sua vida estava desmoronando. Trabalhava muitas horas e passava pouco tempo com seus filhos. Seu casamento estava se estilhaçando.

O abade Loori foi casado com Nancy Decker e Joan DeRiso (ambos casamentos terminaram em divórcio) e teve um longo relacionamento com Bonnie Treace. Ele deixa sua mulher, Rachel Loori Romero; seus irmãos, Joseph Loori e Sal Salerno; seus filhos John, David e Asian; e quatro netos.

Ele se recuperou de sua crise pessoal criando um estúdio de fotografia. Sua carreira como fotógrafo inclui livros, exibições e trabalhos como professor. Em 2004 e 2005, exibiu fotografias de natureza no American Museum of Natural History.

Ele se dedicou ao Zen ainda mais intensamente, dominando dois enfoques — “apenas sentar” e resolver enigmas paradoxais, chamados koans. Um professor altamente conceituado de Los Angeles lhe pediu para fundar um centro na Costa Leste. Em 1980 ele fundou a Mountains and Rivers Order junto com um centro de artes. O complexo se tornou um mosteiro em 1983, quando visitantes passaram a pedir maior rigor. A princípio, o professor de Los Angeles, Taizan Maezumi, era o abade do mosteiro, enquanto Abade Loori encabeçava a ordem. Em 1989, o Abade Loori assumiu ambas funções.

O mosteiro se encaixou perfeitamente em um contexto espiritual das Catskills que já incluia centros Zen, hindus, de Budismo Tibetano, Yoga e diversas entidades New Age. Abade Loori decretou que 80% dos 230 acres que tinha comprado deveriam ser deixados “para sempre selvagens”, o que significava nenhuma interferência com a paisagem.

Veteranos Zen Budistas quase impediram a ordenação do Abade Loori como monge, depois de ver uma tatuagem que se revelava por baixo de seu manto. Uma lembrança da Marinha, ela era apenas uma inocente âncora, mas os japoneses associam tatuagens a criminosos, e o Abade Loori se recusava a apagar seu passado.

A ordenação finalmente aconteceu. Mas o abade usou uma bandagem sobre a tatuagem quando visitou o Japão, como a revista Newsday reportou em 2004.

“Acho que eles ficaram um pouco surpresos quando eu voltei um ano depois e a queimadura ainda não tinha cicatrizado”, disse.

 
 
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