coen_sensei_4.jpg
Portuguese English French German Italian Russian Spanish

Busca no site

Diversos - mais lidos

Cerimônia Budista de Casamento

por Márcia Maranhão Limongi Considerado um sacramento, o matrimônio, na religião budista, é ministrado pelo abade ou (oficiante) no templo. Como ...

Leia mais

Monja Coen, a voz forte do Zen-Budismo

Marília Balbi   Repórter nos anos 60, Cláudia Souza de Murayama abandonou o casamento e foi aos Estados Unidos buscar o caminho ...

Leia mais

O budismo e o “silêncio sobre Deus”

Nem ateu, nem niilista. Esses adjetivos são incorretos para se entender o budismo, que advoga o “silêncio sobre Deus” como ...

Leia mais

O conceito de impermanência no Budismo e

Alexandre Esclapes   Bion seguindo Freud tanto a partir de 1895 no “Projeto” quanto em 1911 com “As duas formas do ...

Leia mais

Apego

O que significa eu me apegar a algo? Todos nós vivemos apegados a uma realidade que vivemos no passado ou há ...

Leia mais
O tempo

Perguntas e respostas da revista Bons Fluidos para o Monge Ryozan

O tempo é um assunto sempre discutido pelos humanos. Por quê? O que nos aflige enquanto humanidade em relação à passagem do tempo?

O que nos aflige é o fato de não estarmos despertos para a vida, vivendo sem sentido, com insatisfação e angústia. A aflição que sentimos é o que nos impulsiona a uma busca de transformação, a fim de podemos apreciar a nossa vida, a Vida.

O fato de vivermos em um contexto de globalização, internet, um fluxo cada vez maior de informações e novidades que precisamos absorver imediatamente, o aumento das exigências no trabalho e o clima de competição no mercado podem ser responsáveis por essa sensação de que nunca dá tempo?

 

O mundo sempre apresentará alguma dificuldade, são as circunstâncias de uma determinada época. Causas e condições. Nossa própria vida e dos que nos cercam é sempre transitória, passageira, temos doença, velhice e morte.
A questão é termos o domínio ou sermos dominados pelo tempo.
Um monge perguntou ao (desperto) mestre Joshu: Durante as vinte e quatro horas, como se deve usar a mente?"
O mestre disse: "Você é usado pelas vinte e quatro horas; eu utilizo as vinte e quatro horas. A qual destes tempos você está se referindo?"

As pessoas reclamam que estão infelizes e não sabem o que priorizar. A questão da falta de tempo pode ter a ver com um excesso de demandas externas e internas e de uma exigência que está acima da capacidade humana? Estamos querendo fazer mais do que podemos? Seria uma espécie de síndrome de super-homens e super-mulheres?

Quando há sabedoria, discernimento, podemos avaliar corretamente as prioridades. Se a nossa tarefa é necessária ou escravizante. E por outro lado, quando há compaixão, compreendemos as necessidades e limitações dos que recebem as tarefas que delegamos. Também devemos estar atentos a ouvir ao outro.
A Sabedoria-Compaixão nos habilita, apropriadamente,a dizer sim ou não.
O zazen, a meditação budista, é uma preciosidade para nos apontar o Caminho e nele permanecer.

Com esse mal estar em relação à passagem acelerada do tempo, acabamos gerando um ciclo vicioso, em que a aceleração externa nos faz ficar mais agitados e ansiosos e essa agitação interna, mais uma vez, piora o ritmo exterior? Comente.

No budismo dizemos que tal emaranhado acontece em função dos três venenos: a ganância, a raiva e a ignorância, sendo esta última a principal responsável. Não é a ignorância da falta de conhecimento, mas a ignorância da Verdade, da Realidade. A ignorância que utiliza errôneamente o conhecimento.
Quando transformamos os três venenos eles se tornam os três remédios: Sabedoria, Compaixão e Generosidade.
Tal é o estado Desperto, Iluminado. Alguém não se torna separadamente iluminado, mas sim percebe a iluminação do Todo. "Eu e todos os seres da Grande Terra nos tornamos o Caminho Iluminado"

Como sair desse ritmo e respeitar o próprio ritmo humano, orgânico etc? Como, ainda com o excesso de demandas, dar um basta e aprender a conciliar trabalho, formação intelectual, família, amigos, tempo livre, sono de qualidade, alimentação adequada, lazer e até um tempo para si, para não fazer nada? É possível arrumar tempo para tudo isso sem gerar ainda mais ansiedade? O que o Zen Budismo diz sobre isso?

Mais uma vez: desperte, e tudo o mais virá em acréscimo.
Mahatma Gandhi disse: "Temos de ser a transformação que queremos no mundo"

O mundo vai precisar passar por uma transformação coletiva em termos de ritmo e de organização do próprio tempo se o ser humano quiser continuar a existir de maneira saudável? Que tipo de transformação seria necessária? Ela passa por uma mudança de valores e de atitudes? Por onde ela poderia começar a ocorrer?

No cultivo da espiritualidade, da ética.
"Não fazer o mal, fazer o bem, fazer o bem a todos os seres".
É a alegria de viver que desperta o cuidado com Tudo. Quem é que se importa com algo de que não gosta?

A retomada de um movimento mais feminino poderia ser a saída para vivermos o momento presente e não nos preocuparmos tanto com a passagem do tempo?

Não entendo a pergunta, não estamos em tempo de retomada de movimentos femininos mas da sua vivência, e implantação onde ainda houver preconceitos. Feminino e masculino em perfeita harmonia.
Talvez a referência ao feminino na pergunta esteja ligada ao aspecto da compassividade, mas esta é uma qualidade sobretudo da humanidade e não de sexo.

Ainda dá tempo de reencontrarmos nosso equilíbrio e o equilíbrio da Mãe-Terra ou já é tarde demais?

O tempo é agora. O local é aqui.
"Nos já somos o que queremos nos tornar."
Nosso esforço e empenho deve ser para percebermos tal verdade.

"Vida e morte são de suprema importância,
Tempo rapidamente se esvai,
e oportunidade se perde.
Cada um de nós deve esforçar-se por despertar,
Cuidado, não desperdice esta vida!"

(verso recitado no término da atividade diária)

 
 
Joomla 1.5 Templates by Joomlashack