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O Zen na arte de conduzir a espada

Bruno Tamietti


No último dia 11 de Abril na ACAL LIberdade, uma quinta-feira de muito calor em São Paulo, alunos do Instituto Niten tiveram a oportunidade de ouvir mais uma vez as doces palavras da Monja Coen uma autoridade em Zen Budismo da América Latina.

Para mim foi uma dupla satisfação , primeiro porque foi pela primeira vez que pude ouvi-la e segundo a honra de poder sentar ao seu lado na mesa. O objeto da palestra foi o livro "O Zen na arte de conduzir a espada", escrita por Richard Kammer que é uma versão do clássico "Tengu Geijutsu Ron" ( O livro da arte dos demônios da montanha), este escrito por Shissai Chozan no SécXVIII é uma revelação de diversos segredos da arte da espada.

 

O livro pode parecer um pouco enigmático, mas esta foi uma característica que se ausentou nas palavras da sensei Coen. O que ela mostrou do início ao fim é que tudo é uma coisa só. Iniciou com um pequeno zazen e depois deu início à palestra. Neste momento parece que seu Ki havia disseminado por toda o salão; as pessoas, o salão, o calor, o trânsito na Av. Liberdade, suas palavras, tudo...tudo era uma coisa só.

Transmitindo o Zen pela espada e a espada pelo Zen, a sensei nos fez sentir este uno, nos fez sentir com todo o coração a nossa prática, a nossa vida. Reafirmando o que disse anteriormente, poder ouvi-la tocou em meu todo: seja no praticante da espada, seja na minha entrega de vida ao Zen Budismo, seja como profissional da psique humana, seja como pai; ela tocou em todos no que há de mais humano em nós, a nossa natureza verdadeira, a nossa essência. As palavras da sensei ecoaram do coração para o coração, interligando a respiração, o treinar com firmeza, buscando sempre melhorar, praticar a meditação e ser, simplesmente ser da maneira mais pura e simples possível, sem pensar, sem questionar, simplesmente estar. Em todo esse desenrolar da prática, quando uma forma surge, seja no menor dos pensamentos, você toma esta forma e assim já não é mais transparente, vazio; não, não é. Você é esta forma e não está mais alerta, sua mente se fixou neste pensamento, nesta forma. Por isso, praticar é repetir, repetir e repetir, errando, refazendo o erro, tentando novamente. É neste movimento que o homem se faz, pois é um ser de movimento e em movimento. E quando não se move no sentido do bem, estará se movendo no sentido do não bem.

E foi assim, toda a palestra foi um só movimento, um movimento em direção a nós mesmos e ao mundo que nos cerca. Neste final a sensei começou a responder as questões propostas pelos alunos e neste momento tive que me segurar um pouco, pois precisava dividir com todos os meus colegas aquele momento, dando oportunidade para buscarem mais com as dúvidas e perguntas. Eu teria mais uma série de perguntas ou também não as teria, bastava ficar ao lado de tamanha luz, quieto em silêncio, percebendo tudo ao redor, percebendo aquela presença de tanta suavidade e doçura, uma presença forte de um ser engajado, doando-se como se arrancasse um pedaço de si mesma colocando-o em nós. Ali naquele espaço de horas que ficamos em contato com a sensei Coen, praticamos a mente alerta e só; simplesmente estávamos ali, sendo...

E tudo se resume em uma coisa só como a sensei colocou muito bem: "Ativo em tranquilidade e tranquilo em atividade".

Domo Arigatô Gozaimashitá
Bruno Tamietti

 
 
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