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Monja Coen, a voz forte do Zen-Budismo

Marília Balbi

 

Repórter nos anos 60, Cláudia Souza de Murayama abandonou o casamento e foi aos Estados Unidos buscar o caminho da meditação. Hoje ela é a influente monja Coen Murayama, 52 anos, presidente do Conselho da Comunidade Budista Soto Zenshu da América do Sul e líder espiritual do templo Busshinji de São Paulo, onde pratica o zazen todas as manhãs

"Viva em grande compaixão e dedique o poder infinito do zazen a todos os seres.

Apenas sentar, indo além do pensar e não pensar, é essencial para penetrar o Zen" - diz o mestre Keizan Jokin, o maior divulgador do Zen-Budismo no Japão e mestre reverenciado, junto a Buda, no altar do Templo Busshinji, na Liberdade. Os discípulos do caminho praticam a meditação zen, o aqui e agora, perguntando: "O que sou eu?" É a mente do principiante sentado de frente para a parede (para não distrair) no zendo (sala de meditação).

A monja Coen Souza Murayama (Cláudia Souza de Murayama) está sentada em lótus sobre o zafu (almofada), no tatami que cobre quase toda a sala do amplo templo de arquitetura oriental japonesa. Como Buda, que raspou a cabeça para dizer que não pertencia a casta nenhuma, Coen repetiu o gesto, "por gratidão a Buda". Participam do zazen outros 40 discípulos de Buda, entre leigos, principiantes e monges noviços.

A prática, na tarde de domingo, tem uma finalidade especial: Enjô, o noviço Mark Stael, descendente de suíço, está de partida para um mosteiro japonês, em Okahama, onde fará um treinamento monástico que pode durar dois anos.

Enjô se preparou durante alguns anos com sua mestra em São Paulo, a monja Coen Murayama, 52 anos, que desde 1995 é a presidente do Conselho da Comunidade Budista Soto Zenshu da América do Sul e líder espiritual do templo Busshinji de São Paulo. Ela é formada professora de monges e leigos dentro da tradicional escola Budista Soto Zen, no Japão. E é exemplo vivo do exercício zen de não se retirar do mundo, mas sim tomar parte ativa nas questões. "Estudar o Budismo é estudar a si mesmo, estudar a si mesmo é esquecer de si e esquecer de si é ser iluminado por todas as coisas que existem", diz Coen Murayama.

Uma monja que tem a firmeza de uma rocha, mas mantém a doçura, diz a noviça monja Isshin, que espera pela sua iniciação. Ou "ela é a minha mestra, e é uma pessoa absolutamente normal, mas me dá o conhecimento de forma surpreendente para o meu caminho espiritual, ", diz a premiada diretora de vídeo Rita Moreira. Ou como diz o ator Rodrigo Santiago, zen-budista de longa data, “a monja Coen está dando impulso e grande repercussão ao Zen e não faz por catequese, mas porque o seu trabalho é importante na comunidade."

Um treinamento do cotidiano que inclue o relacionamento como um dos tesouros do caminho budista. Após a meditação zazen, que dura até uma hora, leitura do Sutra, a cerimônia do incenso e de reverência aos mestres, na pura tradição indiana. Depois os praticantes limpam o templo em silêncio e vão para a cerimônia do chá com a monja Coen.

O jornalismo nos anos 60, quando era a Cláudia Batista, repórter no JT, lhe deu a abertura de idéias, uma experiência importante que a fez pensar sobre o quê fazer para transformar este mundo para melhor. Anos de protesto e das sociedades alternativas, quando lhe caiu nas mãos o livro Autobiografia de um Yogue, de Paramanhansa Yogananda. E ela se mandou para os Estados Unidos atrás da meditação do monge e mestre hindu. Deixou para trás o jornalismo, o casamento e uma filha. Iniciou sua formação monástica no Zen Center of Los Angeles.

Católica, só resolveu o conflito quando sonhou com Jesus Cristo e Buda que conversavam amigavelmente. Neste dia sua mãe compreendeu sua escolha, e logo depois foi convocada para receber a ordenação monástica, depois de três anos de treinamento. Em 1983 entrou para o mosteiro feminino de Nagoia, no Japão, internato nos primeiros cinco anos e semi-internato nos últimos três anos de mestrado. Num curso de especialização conheceu um jovem japonês de 26 anos, o monge Shozan, se tornaram amigos e apesar da diferença de idade acabaram se casando. Juntos, no mesmo caminho de Buda, dirigem hoje os ensinamentos zen-budista no Templo Busshinji - Coração-Mente-Buda, na Liberdade.

Marília Balbi, especial para o JT

 

Comentários   

 
+1 #1 Guest 22-11-2011 00:14
Hj pedi luz no meu período de meditação, e agora me deparo com este textos iluminado, em especial com esta parte --- "Estudar o Budismo é estudar a si mesmo, estudar a si mesmo é esquecer de si e esquecer de si é ser iluminado por todas as coisas que existem", a resposta que eu buscava, precisava. Obrigado!
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