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“Eu e todos os seres da Grande Terra simultaneamente nos tornamos o Caminho”
Xaquiamuni Buda
Se formos capazes de compreender que não há separação entre eu e todos os seres da Grande Terra, poderemos nos tornar o Caminho simultaneamente a Xaquiamuni Buda.
Sem separar, sem dividir, sem excluir nos tornamos íntegros, completos, unos.
Quando o coração se rompe, corrompe. Também depende de alguém que junto se rompa e corrompa. O que corrompe e o corrompido são um par. Um não existe sem o outro.
O mérito de quem dá é igual ao de quem recebe, entoamos monges agradecendo em prece aqueles que nos dão esmolas.
Vivemos de esmolas. Daquilo que nos é dado, doado. E só podemos doar se houver a quem dar.
Abrindo o portal.
Se há pobres e carentes eles são nossa oportunidade de compartilhamento.
Se somos pobres e carentes permitimos a alguém compartilhar.
Há quem faça para ganhar méritos. Será que vale assim?
Estamos sempre querendo ganhar alguma coisa e como é triste perder.
Perder o amor, perder o amparo, perder o sentido de viver, perder os sentidos, perder os amigos, perder a perda de não ter mais o que perder.
Perder a razão, perder o perdão.
No silêncio da madrugada o som da bala na boca estoura a rolha da garrafa de quem bebe champanhe com chiclete.
O que aconteceu em seu sonho, menina que não ouviu o tiro?
Por que hoje o medo a segue? Seria perseguição? Choro, prece, oração?
Amor de mãe me persegue. Sem saber ser mãe foi tudo. Entrava e saía de casa.
Voltava e se drogava. Mal amada, assassinada.
Mas não é isso, o que é então?
No silêncio da madrugada um tiro de quem sem tino foi frio como a bala.
Quente sangue coagula e desce pela medula. Gota parada no ar.
Fico pensando em meninos de 29 anos com pistolas de ouro comandando exércitos de traficantes. Tarefa difícil manter-se vivo. Rezo por você.
Por todos os meninos que se fazem homens e morrem cedo, cedo demais – talvez tarde, quem pode dizer?
Largando as armas de ouro, de prata, de cobre, de chumbo cheio seu corpo.
De que serve agora a corrente de ouro?
Bem-te-vi, bem-te-vi. Quem bem o viu? Pássaro-ave voou e levou tantos outros cantores que cheio de ardores esperavam pelo seu lugar.
O céu deve estar cheio de anjos querendo conhecer os jovens que davam cestas básicas – de comidas e de drogas. Vida invertida.
Silêncio na noite.
Caminha seus passos. É Pero Vaz?
Caminha e escreve a história da vida com a própria vida. |