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A palavra Sesshin, em Japonês, pode ser escrita de duas formas. O som é o mesmo, mas o primeiro caracter de Setsu, pode dar dois significados diferentes. Unificar a mente, a essência do ser. Tornar-se um, uma: corpo-mente-espírito, o eu-outro a outra-eu. Unificar a mente - perceber que sempre está una, que sempre é a realidade suprema se manifestando, mesmo na confusão e na dúvida. Como poderia a Verdade se esconder? A outra é penetrar a mente, penetrar a essência de si mesma, o nosso eu mais íntimo e real.
Durante o final de semana de Carnaval, todos os anos, nos reunimos em um sesshin. Um retiro de agradecimento. Agradecemos a todos e todas Budas e Ancestrais do Darma, todos e todas praticantes, que tornam possível hoje a nossa prática.
Xaquiamuni Buda, que viveu há mais de dois mil e quinhentos anos, é quem vem primeiro na lista de nossa gratidão. E Buda foi praticante de Yoga.
Descubro em meu sentar a postura estável, com permanência e equilíbrio. Mas nem sempre. Há dias, momentos de instabilidade, impermanência, desequilibrio.
Então retorno aos básicos, atenção na postura, no ar entrando e saindo das narinas, percorrendo o corpo e a mente.
A respiração se torna suave e profunda.
Há momentos, depois de muitas horas seguidas de Zazen (sentar-se em Zen), em que o corpo reclama.
Assim, através dessas reclamações ede músculos, tendões e nervos foi que aprendi a fazer algumas formas de Pranayama.
Meu compromisso era o de não me mexer.
Confiei nos mestres e nas mestras ancestrais.
Percebi que Pranayama regula corpo e mente.
Na concentração da respiração consciente as dificuldades, fisicas, mentais, espirituais se desvanecem. O corpo sutilmente se reajusta. As dores se transformam.
Os pensamentos se aquietam e, como escreveu Mestre Eihei Dogen (1200-1253): "a casa do tesouro se abre naturalmente e podemos usufruir a nosso contento". (Fukanzazengi - Regras Universais para a prática do Zazen).
Dhyana, Jhana - Zen.
No Sutra de Patanjili, em seus ensinamentos, a preciosidade do Dhyana, do Zen, para atingir o Samadhi.
Nas salas de Zazen, praticantes são estimuladas/os para acessar o Samadhi dos Samadhis.
Não dualidade. O Uno se manifesta em múltiplas formas. O Multiverso.
Cada som é um som. Notas musicais. Ruído. Silêncio.
Luz e sombra são um par. Pares e ímpares seguimos respirando, sentando, caminhando entre os períodos de trinta minutos de Zazen. Caminhar solene, lento, consciente dos passos, da postura, da respiração, da distância entre uma pessoa e outra. Visão periférica. Não estamos sós.
Somos a vida da Terra em contínua, perpétua transformação e movimento.
Os corpos imóveis estão em plena atividade. Circulando a seiva da vida. Coluna vertebral alinhada com a cervical. Olhos semi abertos pousados à frente num angula de quarenta e cinco graus. Mãos no mudra cósmico: estamos no cosmos e o cosmos está em nossas mãos. Responsabilidade. Habilidade da resposta adequada. Adequação. Ação de se adequaràs circunstâncias.
Sem dentro nem fora. Cada instante perene vivenciado em plenitude.
Presença absoluta.
Agradecendo todos e todas as mestras e mestres do Yoga, do Zen, das tradições que nos permitem hoje vivenciarmos a extraordinária simplicidade de InterSer.
Mãos em prece
Monja Coen |
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Um abraço afetuoso, Ana Sá
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