| Sidarta
Gautama sentou-se em Zazen por sete dias e sete noites.
Sob a frondosa árvore que mais
tarde foi chamada de Bodhi, acomodou seu corpo na posição
de lótus, as mãos no mudra cósmico. Esvaziou
o pulmão de ar, colocou a ponta da língua no palato,
atrás dos dentes frontais, respirando normalmente pelas narinas
ficou apenas sentado.
Alguns dizem que era predestinado
e por isso foi tão fácil obter a Iluminação.
Outros dizem que não. Passou pelo que todos nós passamos
se nos pusermos a sentar. Pensamentos iam e vinham, preocupações
com o pai que abandonara sem herdeiros, a mãe que o criara
como se fora seu, a esposa que deixara no leito quente de amor,
o filho recém nascido que por certo precisaria do pai. Como
estaria o reino e o povo e os problemas gerais?
Pensava mas percebia o pensamento
ao se formar.
Pensava e não se movia.
Dizem que um pássaro fez o
ninho em sua cabeça, que as aranhas teceram teias de seus
cabelos ao chão, que as ervas cresceram entre suas pernas
e braços. Imóvel.
Os demônios detestam Zazen.
Um desenho de alguém em zazen já é para eles
um horror. Quanto mais alguém sentado na postura de meditação.
Vieram então provocá-lo com coisas sensoriais. Mulheres
lindas, violas, canções, comidas, afeições,
bebidas e outras coisas. Ficou sentado e imóvel. Tudo um
sonho, uma bolha. Tudo desaparecia sem a sua participação.
Mara, o rei dos demônios, vendo
que nada o movia resolveu ir pessoalmente remover esse jovem da
jornada à Sabedoria.
Jogou bolas de fogo que como flores
caiam, tentou de todas maneiras e nada o atingia. Desarvorado se
foi na manhã do oitavo dia.
Eis que ao ver a estrela matutina
os olhos completamente se abrem e de repente tudo compreendeu. Sidarta
Gautama exclamou:
”Eu e todos os seres da Grande Terra nos tornamos o Caminho”.
Da alegria do Grande Despertar surgiu
a dúvida: “alguém entenderá?”
Dos céus ouviu a voz, de Brahma,
que o encorajava:
”Vá e faça como fizeram todos os Budas. Use
meios expedientes para que todos compreendam o que você compreendeu.”
Desceu então a montanha, solene
e tranquilo caminhava. Sorria ao vento, às folhas, á
brisa, ao sol da manhã. Pássaros cantavam cantigas
de louvor à toda vida.
Antigos companheiros de práticas
severas, jejuns e outros ascetismos haviam combinado de não
o cumprimentar. Afinal havia traído os costumes locais. Comera
o arroz doce na hora de jejuar.
Sidarta entretanto caminhava com tal
certeza de passo que dele todos logo se aproximaram:
- O que foi que compreendeu? O que foi que aconteceu?
Lavaram seus pés com cuidado
e depois de muita insistência ele fez o seu primeiro Sermão,
no Parque dos Cervos.
Todos o chamaram de Buda, o Iluminado.
Sua fama foi crescendo e foi se espalhando, alunos e aprendizes
vinham de todas as partes. Igualmente os acolhia e sem nada esconder
ensinava que a vida tem sofrimento, tem dor, tudo tem causa, interligação.
Mas há também o Nirvana, de paz e sabedoria, tranqüila
compreensão superior. E um Caminho que deve ser por todos
percorrido, de oito aspectos fundamentais para o encontro com a
Verdade.
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