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Shukke Tokudo – 25 Anos de Ordenação Monástica de Monja Coen
“Entrar para a vida monástica é o Verdadeiro Darma, é a excelente mente iluminada, a Suprema Sabedoria Bodhi (anokutara sammyaku sambodai), que todos Budas Ancestrais corretamente transmitem.”
Shobogenzo Shukke Kudoku, de Mestre Zen Eihei Dogen – 1200-1253
Há vinte e cinco anos recebi os Preceitos Permanentes, fiz o voto monástico (Shukke Tokudo), com Koun Taizan Hakuyu Daiosho (Maezumi Roshi) no Zen Center of Los Angeles, Califórnia. Iniciei a caminhada com as orientações de Charlotte Joko Beck Roshi e de Genpo Merzel Roshi.
Durante oito anos pratiquei no Mosteiro de Nagóia, onde recebi a doçura e a firmeza do Darma de Aoyama Shundo Docho Roshi.
Transmiti os Preceitos de Bodisatva a mais de cem pessoas leigas e os Preceitos Permanentes a oito monásticos (Enjo Stahel, Isshin Havens, Hoen Pitta, Joshin Bento, Dengaku Bandeira, Dorin Bressane, Waho Degenszajn, Zentchu Silva). No momento preparam-se para receber os Preceitos Permanentes (Shukke Tokudo): Shindo Esteves (dia 2 de fevereiro próximo), Ryozan Testa, Heishin Gandra, Tannyo Vaz, Yuho Costa, Myogen Al’ban, Eishun Barbosa, e várias outras pessoas.
Ainda estou apenas iniciando minha compreensão do Darma e dos ensinamentos de Mestre Dogen Zenji.
Shukke significa sair da casa, abandonar os valores mundanos e adentrar a grande família iluminada. Tornar-se uma criança Buda na casa de Buda. Tokudo é o caminho dos méritos (literalmente receber a emancipação).
As origens do Zen monástico na China não foram ainda completamente esclarecidas. Segundo anais antigos, foi a partir do quarto e quinto sucessores de Bodai Daruma Daiosho (Daii Doshin Daiosho, 580-651; e Daiman Konin Daiosho, 601-674), que se estabeleceram as primeiras comunidades economicamente auto-suficientes.
Não havia apoio governamental, como aconteceria mais tarde. Havia poucos contribuintes leigos(as). A vida de mendicância era impraticável na China - pelo clima, pela pobreza, pela falta de uma comunidade budista, pelos costumes locais.
Essas circunstâncias fizeram com que os mosteiros desenvolvessem atividades de subsistência: cultivar o solo, cortar madeira, carregar água – tudo o que seria considerado uma violação ao código clássico de Preceitos Monásticos.
“Um dia sem trabalho é um dia sem comer” – frase famosa de Pao-chang, autor na China do Shingi – Regras Monásticas, manual inspirador de Mestre Dogen.
Desde o século VI na China os trabalhos manuais de manuntenção do Templo e de arrecadação de fundos são chamados Samu. Zazen, estudos do Darma e liturgia são práticas tão importantes quanto Samu.
Os monges e monjas de Tenzui Zenji, Comunidade Zen Budista Zendo Brasil, praticam Samu diariamente. Quer no Templo, quer fora do Templo. Alguns ajudam na limpeza, faxina de altares, salas, banheiros, cozinha, jardins, na organização administrativa, divulgação de eventos e ensinamentos. Outros mantêm empregos ou atividades - de suas profissões anteriores aos votos - para angariar fundos à sua própria sobrevivência e à sobrevivência da comunidade.
Aqui no Brasil não praticamos mendicância nas ruas. Mestre Dogen Zenji, quando interrogado se um monge deveria pedir esmolas, respondeu: “Sim, deveria. Esse assunto, entretanto, deve levar em consideração o clima e os costumes do país. Sempre pense sobre o benefício de outros seres e o desenvolvimento de sua própria prática. Caminhar por estradas encharcadas e lamacentas, molha e suja os hábitos.
Devido à pobreza das pessoas, a maneira prescrita de mendigar (de sete em sete casas) não pode ser praticada.
Se assim o fizer sua prática retrocederá e impedirá os benefícios dos outros seres. Se observar o costume do país e praticar o Caminho de maneira correta, pessoas de todos os níveis oferecerão doações irrestritamente e assim o bem estar de si mesmo e dos outros se manifestará.
Em relação a problemas como estes, sempre que for confrontado com circunstâncias e ocasiões particulares, pondere razoavelmente, não se importe com o que os outros venham a pensar de você, esqueça sobre seus ganhos pessoais, e se esforce por todos os meios a servir o Caminho assim como a fazer o bem a todos os seres.” (Zuimonki II-26)
Mestre Dogen Zenji, além de instruir minuciosa e detalhadamente sobre o comportamento adequado em cada atividade diária, instrui também como pensar. Quebra estruturas inadequadas - simplistas, rebuscadas ou rígidas. Insiste que os monásticos mantenham um relacionamento de grande harmonia e respeito afetuoso. Enfatiza a unidade do eu-outro-tempo-natureza-mundo-universo-vida-morte.
Ao Mestre Dogen Zenji e ao seu neto-sucessor Mestre Keizan Jokin Zenji todos os dias reverencio. Gratidão profunda.
Agradeço os ensinamentos de Baigaku Junnyu Daiosho, do Templo Kirigayaji em Tóquio e de Shozen Sato Daiosho, do Templo Daishoji em Sapporo, de todos os monges e monjas, mestres e mestras, leigos e leigas que me guiam e me inspiram a manter os Preceitos e a praticar o Zen.
Especialmente reverencio a confiança de meu mestre de transmissão, Zengetsu Suigan Daiosho.
Reflexões de uma velha monja.
Mãos em prece
Coen
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