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RHFev1
(Texto
escrito pela Monja Coen em fevereiro de 2003 para a Revista Da Hora,
Jornal Agora, São Paulo)
Vi o Presidente Lula ao vivo. Pequenininho,
deveria ter uns dez centímetros de altura, lá longe,
longe, num palco grande, cercado de pessoas quase imóveis,
ele andava de um lado para outro segurando um microfone. Sua voz
sim, esta chegava clara e alta:
O presidente esperança - e parece
que a cor da esperança mudou de verde para vermelha - pedia
permissão para falar, explicando porque iria a Davos (vaias)
e como diria aos ricos e poderosos que precisam se unir para acabar
com a Fome. Estaria se misturando com a turminha de lá para
transformá-los em seres melhores, mais compassivos e coerentes?
Nas grandes religiões os santos,
os profetas, os iluminados, os bodhisatvas agem assim. Surgem com
a aparência comum para se misturar às pessoas e as
conduzir ao bom e ao correto.
Ah! Precisamos tanto de pessoas assim.
Quero ver camisetas de Che Guevara
transformadas em camisetas de Mahatma Gandhi*.
Quero ver os jovens abandonarem o caminho
das armas, das lutas armadas ou desarmadas e iniciar a construção
de um novo mundo através da não violência ativa.
Há quem pense que não violência é não
fazer nada, aceitar tudo, ficar sentadinho em meditação
ou oração. Não é, embora as orações,
os pensamentos, as meditações, por certo contribuam,
e muito, para encontrarmos a verdadeira paz.
O que é paz? Ausência
de guerra? Tranqüilidade mental? Justiça social? Fome
Zero? Água em abundância? Ternura? Respeito? Carinho?
Tolerância? Saúde Pública? Educação?
Educação Ambiental? Alfabetização? Alfabetização
Ambiental? A Cultura de Paz inclui tudo isso, e muito mais, permeia
uma nova maneira de ser - o inter ser, capaz de resolver conflitos
através da não violência, de transformar efetiva
e definitivamente moldes de comportamentos.
Dia 30 de janeiro , memorial de Gandhi,
foi promulgado o Conselho Parlamentar pela Cultura de Paz na Assembléia
Legislativa do Estado de São Paulo. É o primeiro e
único no mundo! Expectativa de um novo transformar através
de ações de paz, respeito, inclusão, informação
compartilhada no cuidar da vida. Todos precisamos ser alfabetizados
nas maneiras de resolver conflitos e cuidar da Terra. Todos inclui
lideranças, elites, empresários, doutores- homens,
mulheres, adultos, crianças, idosos, ricos, pobres, classe
média.
O Fórum Social Mundial de Porto
Algre trouxe renovada esta esperança. Tão pouco foi
publicado, escrito, televisado. Apenas os poucos momentos de desencontro.
Forte lá foi o encontro, foi a amororosidade, o respeito
às diferenças, aos diferentes. Juntos caminhávamos,
nós em silêncio meditativo, outros em passos fortes
e gritos altos. Não nos anulamos, criamos as diversas possibilidades.
Respeitosa e ternamente. É possível mudar sem violência.
Agüenta a mão aí,
mano. Resolve o conflito, a diferença com a sapiência
ancestral. A compaixão é o caminho - sentir com o
outro a paixão (a dor e do amor), tornar-se uno e da união
encontrar o caminho para a todos beneficiar.
Contra a raiva - a compaixão,
o compreender e esperar o momento correto de transformar, com ternura,
com respeito, com amor dentro do peito, mesmo àqueles que
ainda estão perdidos nos ódios, rancores, temores
das guerras e confusão.
Contra a ganãncia - o doar,
o compartilhar da vida, o compratilhar do pão, conviver,
receber, transmitir ensinamentos, conhecimentos sem de volta nada
pedir.
Contra a ignorãncia - mãe de todos os males - a Sabedoria
Verdadeira - mãe de todos os bens.
Ser humano é transformar. Que
seja com a percepção da grande e real união
entre Terra, Céu, Mar, Mente e Coração.
(*Mahatma Gandhi, líder pacifista
indiano, conseguiu a independência da Índia do jugo
do Império britânico através da não violência
ativa. Morreu em 1948.)
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