Palestra da Monja Coen sensei - "Zen Budismo: prática na vida pessoal e coletiva"
Gravada no evento "Budismo no mundo contemporâneo", no CEBB Caminho do Meio, Viamão - RS, no dia 04 de fevereiro de 2008, por Melissa Flores.
CASAMENTO EM FRENTE A BUDA - Por que casar?
Dia 27 de setembro de 2008 foi celebrado o casamento em frente a Buda de Fernando Abrantes Luna e Regina Pelegrini Parra.
Abaixo o texto dos noivos:
A melhor razão para alguém se casar hoje em dia é que ninguém precisa mais se casar hoje em dia.
Quer dizer, ninguém mais tem que casar para viver junto. Ninguém precisa casar porque a família decidiu que o filho ou a filha deveria casar. Ninguém é obrigado a casar porque pega mal continuar solteiro depois de uma certa idade. Ninguém mais precisa casar para ter filhos (finalmente descobriram que filhos nascem a partir de um outro verbo). Aliás, ninguém precisa casar por causa de sexo – hoje em dia, como diz o outro, o único problema de sexo antes do casamento é atrasar a cerimônia.
Enfim, casar deixou de ser indispensável. E isso foi a melhor coisa que podia acontecer com o casamento. Desse jeito, ficou mais fácil casar pelos motivos certos. Ou melhor, pelo único motivo certo, porque é difícil imaginar algum outro motivo certo que não seja casar por amor.
O amor entre Regina e eu talvez não tenha sido exatamente à primeira vista, mas foi quase isso: foi amor à primeira carona. (Ainda bem que não tenho carteira de motorista e preciso de carona.) Aconteceu logo depois da gente se conhecer. Estava de pé, ali diante da galeria onde a gente tinha se encontrado. Bom, no dia seguinte, escrevi para ela:
"Muito bom entrar na galeria e encontrar você; ficar conversando com você na calçada; continuar a conversa tomando um café; torcer para a xícara de café só acabar depois de dez horas e não de dez minutos; aceitar que, não tem jeito, a xícara terminou muito antes do assunto; ficar em pé em frente ao seu carro, na sua frente, com vontade de te beijar; te beijar, enfim.
"Se bem que te beijar foi mais que muito bom.
"Depois você me deu uma carona. Ou eu pedi uma carona, sei lá. Era um jeito de ficar perto de você mais tempo. E fomos embora, sem pressa, parando nos sinais vermelhos e nos sinais verdes. E, quando a gente finalmente chegou, eu não queria chegar."
Isso faz quatro anos. E, de certo modo, a gente não chegou mesmo. Ao contrário, Regina e eu queremos continuar. É por isso que estamos aqui. É por isso que convidamos vocês, família e amigos, para celebrar com a gente o nosso amor. Tenho a impressão de que quando aquela canção diz que "é impossível ser feliz sozinho", ela inclui, além do casal, a família e os amigos.
Vir aqui, diante de vocês, com vocês, é um jeito de compartilhar esse amor, de guardar esse amor com cada um de vocês. Por isso, a gente gostaria de ler um poema que costuma freqüentar nossa mesinha de cabeceira. Foi escrito pelo Antonio Cícero – mas não se preocupem, não é "À Francesa" e nem "Fullgás". O título é "Guardar":
"Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
do que um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e se declama um poema:
Para guardá-lo."
E já emendo, para encerrar: por isso se faz um casamento, com cerimônia e com festa, com família e com amigos, com amor (a melhor razão) – para guardá-lo.
Regina e Fernando.
Fotos do Templo
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Sesshin Especial de Treinamento de Monges
Superintendência da Escola Zen Soto da América do Sul
De 6 a 10 de outubro no Templo Enkoji (Itapecerica da Serra – SP) sesshin especial, dirigido principalmente a monges dos grupos representativos em toda a América do Sul. Tem como responsável pelas atividades o Superior Dosho Saikawa, Superintendente da Escola Zen Soto da América do Sul. Inúmeros missionários (Fukyoshi) estarão auxiliando durante o curso.
Tem como objetivo a atualização e aprimoramento dos monges no que se refere às atividades formais da tradição budista Zen Soto. Inclui-se nesta a realização de cerimônias (Chôka, Nichu Fugin, Banka Fugin. Rakanpai, Ryaku Fusatsu e outros), a utilização de oryoki (tigelas), a recitação formal das orações durante as refeições (em japonês), as prostrações (sanpai), o uso correto do zagu etc.
As inscrições devem ocorrer antecipadamente no Templo Busshinji, São Paulo , com o pagamento de uma taxa de R$ 200,00. Durante o acontecimento haverá instalações para a acomodação dos interessados. Deve-se levar cobertor, lençol e chinelos, além dos objetos de uso pessoal.. Se o interessado não puder participar diariamente das atividades o valor pago integralmente será mantido.
A condução será fornecida pela organização, levando e trazendo os inscritos do Templo Busshinji para o Templo Enkoji e o contrário.