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Texto da Nic, professora do Pratiqueyoga
Domingo fomos no Yoga pela Paz. O dia estava lindo, muito sol, céu azul, que alegria. Chegamos para fazer a prática da Regina Shakti. Foi uma prática leve e com ásanas (posturas) muito simples. A Regina pediu para colocarmos a mão no chão e "abraçar" a Terra, transmitir nosso carinho, nosso amor. "A gente pisa na Terra, cospe. Mas não abraçamos a Terra". Eu me emocionei. É bom demais sentir Amor pela Terra, nossa grande casa, nossa Mãe.
Yoga também é cuidar da Terra. Yoga é compreender que precisamos MESMO cuidar da Terra, pois Ela cuida de nós. Ela nos dá os mais maravilhosos alimentos, nos dá o sol, o ar, a chuva, o vento. Ela nos dá tudo, exatamente tudo. E o que temos feito com Ela? Nós a matamos. Nós a violentamos. Nós abusamos da Terra. Como? Cada vez que a gente não se importa com aquilo que comemos. Cada vez que a gente não se importa de usar mais e mais sacos plásticos. Cada vez que a gente não se importa em jogar cigarro no chão. Cada vez que a gente não se importa de deixar a torneira aberta. Cada vez que a gente não se importa de deixar a luz acesa. Cada vez que a gente não se importa com os animais. Cada vez que a gente não se importa com nada que não seja nosso próprio umbigo.
Yoga não é fazer ásana. Yoga não é fazer respiratório. Yoga não é meditar. Yoga é viver. E viver bem, de forma plena e muito, mas muito mesmo, consciente. Você já parou pra pensar de onde vem sua comida? Quem plantou, quem cuidou, quem colheu. Já parou pra pensar que é a Terra que dá pra gente tudo isso? Já parou pra pensar na carne que você come? Como aquele animal foi morto? Com violência, com tortura? E como aquele animal que você comeu vivia? Confinado ou livre? Ele vivia bem, feliz, sendo bem tratado? Ou vivia encurralado para não criar músculos pra carne que você come ser bem macia? Aliás, já parou para pensar que animais não são produtos, mas seres vivos? Já parou para pensar que a Terra é a casa deles assim como é a nossa casa? Isso, sim, é Yoga. Yoga é pensar. É compreender. É sentir. Yoga é estar integrado à natureza. É viver de um modo que não façamos mal a nenhum ser vivente.
Yoga é libertar-se dos nossos velhos padrões e condicionamentos. É pensar por si mesmo. Hoje no Yoga pela Paz estavam yogins de todas as tribos, ou quase todas. Em raríssimos casos e eventos os yogins se misturam. Pois até mesmo no meio do Yoga tem ego, tem idolatria, tem falta de consciência, tem guerra, tem briga e não tem nenhuma paz. Yogins não se misturam. Cada qual com sua linha de Yoga. Cada qual com seu grupo, seu bando. Quando os yogins se misturam tem briga, tem discussão, tem rivalidade. E hoje no Yoga pela Paz não tinha Yoga melhor, não tinha linha de Yoga, não tinha mestre. Era Yoga. Era tudo em nome da Paz.
Só mesmo um evento como esse para juntar yogins de várias tribos e, mesmo assim, nem todas. Só mesmo um evento assim para mostrar que não importa a linha de Yoga que se pratica. O que importa é o que estamos fazendo da Terra, da sociedade, dos nossos relacionamentos e da gente mesmo. E, ainda assim, num evento como esse, há ego, há panelinha, há a vontade de aparecer e de sair na mídia ou, quem sabe, na revista Caras. Eu não me excluo disso tudo, pois tenho meus preconceitos, minhas preferências, minhas opiniões formadas e deformadas a respeito de Yoga.
Também eu aprendi o Yoga de um jeito e também eu estou na busca para descobrir o meu Yoga, aquele que não se ensina, que não se impõe, que não se imita, que não se copia. Eu também julgo e eu também tenho meus "achismos", pois eu também, assim como todos nós, sou uma pessoa condicionada. Mas em alguns momentos, como o de hoje, a gente expande um pouquinho nossa consciência e conseguimos praticar, rir, dançar e ser um yogin leve e simples, um yogin que é capaz de desfrutar o Yoga sem se importar com a linha, com o mestre, com a forma de se fazer uma postura, sem se importar com as palavras que são usadas, sem se importar com certo e errado, sem se importar com a performance que esperam de nós. Eu espero, sinceramente, conseguir isso cada vez mais. E eu sei que isso é construído dia após dia, como um sádhana (prática). Pois a gente vai para o Yoga achando que, agora sim, vamos nos libertar um pouquinho dos nossos condicionamentos tão arraigados. Mas o que criamos são mais e mais condicionamentos, achismos, frases feitas, formas engessadas de se praticar, pensamentos que não são nossos de verdade, opiniões formadas e tidas como absolutas.
Ainda temos um grande caminho pela frente. Todos nós. Estamos aqui para evoluir e nada mais. E a Terra, nossa grande mãe, a grande e verdadeira yogini, olha e sente tudo em silêncio. De vez em quando ela reclama e briga e se enfurece. Mas, ainda assim, a Sua generosidade e compaixão é de uma sabedoria profunda e infinita. Ela assiste ao show de camarote, a mais nobre de todos os espectadores. E, nós, com toda a nossa arrogância, pensamos que o show é todo nosso.
Beijos a todos. Nic |