Homenagem a Shimada Sensei
Zen e Yoga
Homenagem a Shimada Sensei
Há alguns anos vinha me encontrando com professor Shimada, em Ubatuba. Nós dois éramos convidados de Marcos Rojo para os feriados de Corpus Christi. Quanto me surpreendeu sabê-lo um dos pioneiros do Yoga no Brasil. Japonês yogui? E era muito bom. Esperava eu que ele fosse Budista. Não, era Vedanta.
Em seu Instituto, na esquina da rua Caio Prado com rua da Consolação, em São Paulo, há mais de cinquenta anos, professor Shimada mantinha um altar Vedanta. Mas, lá também estava a imagem de Buda. Presente da professora Celeste? E Shimada Sensei nos falava de sua mãe, do budismo, dos ensinamentos de humildade e dignidade que alimentaram sua trajetória de vida.
Depois cantava em japonês, músicas antigas. Sorria e sorríamos com ele. Ternura e alegria.
E nos ensinava Yoga, respiração, postura, relaxamento, ética, vida.
Devagar...De va gar...
Este ano irei novamente a Ubatuba. Shimada Sensei fará falta, muita falta, embora esteja sempre conosco, com todos que o conheceram.
Pude estar presente em seu velório e orar agradecendo sua vida, sua prática, seus ensinamentos, suas alunas e alunos que continuam a transmitir o Yoga. Minha professora, Walkiria Leitão foi aluna de Shimada Sensei. Seu Institito de Yoga, assim como era o de professor Shimada, tem tatamis de palha japonesa e a bandeira de Lonavla, na Índia. Foto de Dona Inês, também pioneira do Yoga, professora de Marcos Rojo. O passado que agora se manifesta nos que estão aqui. Todos os ensinamentos, desde Buda, desde Patanjili continuam vivos naqueles que seguem as tradições.
Nossos corpos são temporários, passageiros, sempre se transformando. Mas também são o templo sagrado a ser respeitado, cultivado, conhecido e amado. Assim o Yoga e o Zen se encontrarão novamente em Ubatuba. Haverá aulas de Yoga, práticas do Zen. Haverá praia, sol, passeios e um lugar vazio em nossas mesas. O lugar do professor Shimada. Mas ele estará lá conosco, nas salas de prática, nos nossos corpos e corações, nas salas de refeição, nos ensinamentos que não hão de morrer jamais.
Minha gratidão e respeito.
Mãos em prece
Monja Coen



