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MONJA
COEN
Meu nome é Coen. É um
nome composto de dois caracteres chineses. "Co" significa
"só" ou "um só, única"
(como monos em latim) e "en" significa "círculo
perfeito" ou "compleição, perfeição".
Há um poema Chinês muito antigo no qual esses caracteres
aparecem.
Mente-lua
Única e perfeita
A luz permite todas as formas
Quando luz e formas não são
O que é?
Os poemas Zen budistas são geralmente
intrigantes. Manifestam o estado iluminado superior ou conduzem
a questionamentos que encorajam a penetração no cerne
do ser.
Vocês fizeram um momento de meditação
hoje, antes do início deste encontro? Não? Então
os convido. Vamos nos sentar sem recostar nas poltronas mantendo
as costas retas, os pés firmes no chão, paralelos.
Vamos procurar encontrar nosso ponto de equilíbrio balançando
o corpo para a esquerda e para a direita como um pêndulo.
Ao perceber o centro físico de seu corpo, fique aí.
Solte o ar pela boca, profundamente. Esvazie os pulmões de
ar e a mente de todos os pensamentos, idéias, conceitos.
Coloque as mãos no mudra cósmico, ou seja, a direita
por baixo e a esquerda sobre ela, ambas com as palmas para cima,
apoiando as costas das mãos no colo e tocando com os dedos
mínimos o abdômen. Os polegares em linha reta se tocam
de leve, como se houvesse uma finíssima folha de papel entre
eles. A ponta da língua no palato atrás dos dentes
frontais. Os olhos pousados, entreabertos, num ângulo de 45
graus. Soltando todo o ar, vamos perceber tudo o que é neste
instante. Vamos encontrar o ponto de equilíbrio perfeito.
Exatamente aqui, exatamente agora. Foco firme e perfeito abrange
toda a vida do universo.
Isto é Zen.
Zen significa um estado de meditação
profunda. Não é algo que possa ser comprado em alguma
loja. Nós temos de fazê-lo!
A palavra vem do sânscrito Dhyana ou Jhana, que os chineses
chamaram de Ch'na e os japoneses de Zen.
O Buda histórico, Xaquiamuni,
que viveu cerca de 600 anos antes de Cristo, torna-se Buda através
da meditação, através do Zen. Num tratado muito
antigo, transcrito de um país para outro por monges discípulos
de Buda, o Livro da Transmissão da Luz - anais da transmissão
dos ensinamentos de mestre a discípulo em sucessão
histórica - o episódio de Xaquiamuni Buda é
o Prólogo.
Segundo essa narrativa Xaquiamuni Buda
sentou-se em Zen por uma semana. As ervas cresceram entre seus braços
e pernas, um pássaro fez o ninho na sua cabeça, e
teias de aranha cobriram seu corpo. Imóvel e irremovível
assim permaneceu.
Na manhã do oitavo dia, depois de sete dias e sete noites
de meditação profunda, durante a qual percebeu sua
mente cheia de dúvidas, incertezas e tentações,
tendo sido de permanecer focalizado no instante absoluto, ao ver
a estrela da manhã, subitamente despertou e exclamou:
- Eu e todos os seres do céu
e da terra, simultaneamente, nos tornamos o Caminho.
O Caminho é em todos nós!
O ser iluminado percebe isto com clareza consciente.
Uma vez perguntaram a Buda:
- O que é a Verdade? Viemos discutir a verdade.
- Então não é sobre a verdade que nós
vamos falar, porque a verdade não se discute - ela é!
Sendo assim é impossível discutir a verdade.
Quando falamos o verdadeiro, todos
entendemos. Não é verdade?
Quando não é a verdade se manifestando sabemos. Por
quê?
Não é apenas porque lemos ou estudamos em algum lugar,
mas porque todos nós sabemos em nós. Somos a manifestação
da verdade do universo.
Há um monge que viveu na China
por volta do século VIII. Seu nome era Gensha Shibi. Era
uma pessoa simples, um pescador. Uma noite saiu como sempre para
pescar com seu pai. O mar estava revolto, Águas turbulentas,
ventania. O idoso pescador caiu do barco. O filho tentou, em vão,
salvá-lo.
No vazio da noite escura as nuvens se abriram e a lua despejou-se
no mar.
Foi nessa circunstância que ele entendeu aquilo que os monges
estavam comentando alguns dias atrás. Os reverendos falavam
sobre a lua na água, sobre a iluminação da
mente, a paz de Nirvana. Gensha Shibi se aquietou.
Ao voltar à praia, deixou seu
barco de pesca e foi para o mosteiro.
Anos e anos se passaram. Foi nomeado Abade Superior. Respeitado
por monges e leigos que se juntavam para ouvir seus ensinamentos
do Darma.
- O universo é uma jóia
arredondada. Somos a vida do universo em constante transformação.
Não há fora nem dentro.
Quando percebemos o que Gensha Shibi
percebeu, quando penetramos no ponto de equilíbrio central
do ser como Xaquiamuni Buda, a paz se manifesta, a verdadeira compreensão
superior.
Conecta-se com o despertar a noção
de profetas de tolerância. Mas creio que hoje em dia temos
de ir um passo adiante da tolerância apenas. É preciso
conhecer e respeitar as diferenças, compreender.
O XIV Dalai Lama, Tenzin Gyatzo, embora
não seja de minha tradição japonesa e sim do
Tibet, é muito respeitado por todos religiosos. Seus seguidores
o consideram uma manifestação de Kanzeon Bodhisatva,
em Sânscrito é Avaloktesvara Bodhisatva, o bodhistava
da Compaixão.
Na cosmologia budista, bodhisatva não
é um ser humano que se tornou uma divindade ou que era um
santo. Seria alguma coisa como se nós falássemos da
"santidade", a santidade ela mesma, que pode se manifestar
em qualquer um de nós, e que às vezes se manifesta
e de outras vezes desaparece. Há momentos em que somos bons
e há um momento em que somos maus, por exemplo. Avaloktesvara
Bodhisatva.é a capacidade de compaixão total.
Eu nunca encontrei com o Dalai Lama
pessoalmente. A última vez em que ele esteve no Brasil, em
Curitiba, quase, por um fiozinho, nos encontramos. Mas não
foi possível. Tenho acompanhado seus ensinamentos e sua vida
pelos livros, filmes, revistas.
Uma de suas histórias é
muito interessante. Um monge foi preso, quando a China invadiu o
Tibet. Foi torturado e passou por grandes dificuldades. Quando esse
aluno é solto, vai se encontrar na Índia com o Dalai
Lama. O seguinte diálogo ocorre:
- O que foi mais difícil para você durante esse tempo
que esteve preso na cadeia: as torturas físicas, a fome,
o medo, as torturas mentais? O que foi mais difícil para
você suportar?
- Por um instante, quase que por um breve instante, quase deixei
de sentir compaixão por aqueles que me torturavam.
Isso é que é o mais temível:
perder a capacidade de tolerância, de compreensão,
de compaixão pelo outro... Isso é que é terrível,
isso é que é amedrontador.
Mahatma Ghandi usou uma frase que eu
acho maravilhosa:
- Devemos ser a transformação que nós queremos
do mundo.
Como é que nós queremos
este mundo? Depende de cada um de nós, do que fizermos.
Xaquiamuni Buda dizia.que há tantos Budas quanto grãos
de areia no Ganges.
Outro aspecto importante é saber
que os seres iluminados não estão isentos de discriminações.
Isto é um assunto muito sério. Em minhas últimas
etapas de treinamento, no Japão, fizemos estudos que poderiam
ser chamados de Budismo Crítico. Nós começamos
a reler todos os textos sagrados e rever toda a nossa prática
religiosa sob o prisma de: será que nós discriminamos
ou será que nós permitimos no passado que discriminações,
injustiças, guerras e perseguições fossem feitas
em nome do Budismo e dos Budas?
Foi um trabalho sério e muito
difícil que continua...
Sob o prisma inter disciplinar Xaquiamuni
Buda é importante ao transformar todo o sistema de castas
da Índia. Ele não nega o sistema de castas (e isso
é interessante), mas o vê de uma forma diferente. A
casta não é por nascimento, mas sim por comportamento,
atitude, gestos, palavras e pensamentos.
"Aquele que age, fala e pensa como um brâmane é
um brâmane".
Ele aceitava todos na sua comunidade,
igualmente.
Certa feita Xaquiamuni Buda andava
por uma rua e do lado oposto caminhava um jovem limpador de fossas,
carregando nas costas um recipiente com tudo o que havia tirado
das fossas. Quando vê Xaquiamuni Buda se aproximando, fica
terrivelmente amedrontado, porque o sistema de castas não
permitia um paria se aproximar de alguém de uma casta qualquer.
E nessa sua aflição, não tendo para onde fugir,
tropeça, cai, espalhando as fezes e urina no meio da rua.
. Xaquiamuni Buda se aproxima e o ajuda a se levantar. Este jovem
se torna um monge. Assim havia entre sua comunidade pessoas de todas
as castas e mesmo aqueles que eram considerados parias (sem casta).
Ele teve muitos seguidores.
Também teve seus desafetos.
Devadata, um de seus primos monge, era muito ciumento. A comunidade
de Buda crescia com muitos discípulos. Devadata querendo
ser o líder, ter seus próprios discípulos,
provoca cisões. Chega a tentar matar Buda, jogando uma pedra
de cima de uma montanha. Buda nunca ficou com raiva dele, nunca
sentiu rancor, nunca quis fazer nenhum mal a ele. Os sutras contam
que no momento da morte Devadata se arrepende e roga por Buda.
O inferno tenebroso que se abrira imediatamente
se transforma num mundo um pouco melhor.
Nesse relato há dois aspectos
importantes. Um é que nunca, em nenhum momento, em nenhum
sutra(sermão de Buda), em nenhum relato, Xaquiamuni Buda
age como violência, com raiva, com rancor ou não-compreensão.
O segundo aspecto é a força
do arrependimento. Pode transformar situações.
Entrando aqui a noção do livre arbítrio. Embora
o Budismo ensine um universo de causas, efeitos e condições,
não é pré-determinismo. Nossa ações
transformam. Herdamos inúmeras coisas do passado, não
só o DNA, o nosso corpo, a nossa maneira de ser, a nossa
educação que recebemos, os nossos pais, as coisas
que nos influenciaram na infância, tudo isto está em
nós. Está nos formando, entretanto cabe a cada um
discernir, escolher como ser.
No convento em que vivi por oito anos,
no Japão, a Abadessa constantemente nos lembrava de uma jovem
que perdera ambos os braços. Mesmo sem eles tornara-se monja,
poetisa, escritora e pintora. Fazia tudo com os pés e a boca.
- O que é que você está
reclamando? Você tem as suas duas mãos, você
tem seus pés, você tem sua boca e você tem seu
corpo, tanta coisa que você pode fazer, Esforce-se!.
Não havia sido fácil
para essa monja. Teve momentos de desespero, tristeza, mas persistia
- assim como fizera Xaquiamuni Buda sob a árvore da iluminação.
Isso impedia o mal, protegendo a pessoa dentro de um campo de força
positivo - a nossa determinação. A determinação
e a persistência estão muito ligadas com a fé.
Às vezes me perguntam qual é
a fé no budismo, se o budismo não fala de Deus. A
palavra "Deus", o conceito de Deus não é
importante no Budismo. A fé é nos Três Tesouros:
Buda - Ser Iluminado, Darma - Lei Verdadeira e Sanga - Comunidade
de praticantes em harmonia.
Quando Buda teve a experiência
de iluminação, pensou:
- Não vão me entender, ninguém vai me compreender...
Eu não vou falar nada, eu vou ficar na montanha em meditação...
Nisso ouve a voz de Brama, que é a divindade superior do
hinduísmo.
- Vá e faça como já fizeram todos os Budas
do passado! Use meios, expedientes e analogias, mas faça
com que as pessoas tenham a mesma percepção que você!
Quando perguntavam a Buda qual a causa
primeira, neste universo de causas, condições e efeitos,
ele silenciava. Não-palavras...
Certa ocasião fazia uma palestra
na PUC em São Paulo quando um dos alunos me perguntou
- E como é Deus para você?
Eu falei:
- Primeiro me diga como é para você. Qual é
seu conceito de Deus?O que você está chamando de Deus?
Eu não sei o que você está chamando de Deus...
O Professor de Teologia, Fernando Althmeyer interferiu:
- Deus vem de Zeus. E Zeus é "Oh". Não é
isto? Aquilo a que não pode se dar nome.
Lembrei-me de uma história Zen,
contada por um monge nos Estados Unidos, por volta da década
de 30:
" Uma pessoa queria chegar ao
fim do mundo. Andou, andou, andou, subiu, desceu, subiu montanhas,
desceu montanhas, finalmente chegou ao topo da montanha mais alta
e disseram para ele:
- Aqui o mundo acaba!...
Ele deu mais alguns passos e encontrou-se frente a um precipício
imenso
Nesse local havia muitas pessoas que tendo chegado ao fim daquilo
que conheciam paravam abismadas ou retrocediam ao conhecido.
O praticante Zen nem para nem retrocede.
Avança e se entrega àquilo que é absolutamente
desconhecido, onde não há mais palavras, não
há mais conceitos, não há idéias...
Muitas pessoas voltam desse ponto pensando:
- Eu cheguei até onde eu podia ir. Até aqui é
o que eu conheço, é até onde a minha maneira
de pensar alcança. Se for além daquilo que a minha
maneira de pensar alcança, eu não posso penetrar!...
O Mestre Zen diz:
- Aqui e agora é o local e o momento certo. Dê o salto
quântico, o encontro com o que nós chamamos no budismo
de "eu verdadeiro"."
Esse encontro com o "eu verdadeiro" é que nos permite
maior flexibilidade. Isso não implica que imediatamente fique
isento de discriminações, como comentei anteriormente
acerca do Budismo Crítico.
Xaquiamuni Buda, por exemplo, não
queria ordenar mulheres. A primeira monja, Mahaprajapati, segue-o
por anos.
Uma das vezes em que Buda vai fazer uma palestra, ela está
na porta esperando com os pés ensangüentados, sujos...
Mahaprajapati era uma nobre, ela não andava tanto assim...
Ananda, que era o atendente de Buda,vendo-a, se apieda e interfere
junto ao Mestre.
Xaquiamuni Buda durante sua palestra diz:
- Todos os seres igualmente são seres iluminados, todos sem
exceção. Não tem nada a ver com etnia, com
inteligência, com nível de aprendizado - todos nós
somos seres iluminados. Mas se não houver prática,
não há essa percepção. É a própria
prática a manifestação do ser iluminado em
nós.
Então Ananda levanta-se:
- Todos com certeza?
- Com certeza!
- As mulheres também?
- Claro, as mulheres também, claro!
- Então por que o senhor não ordena as mulheres?
Foi assim que Xaquiamuni Buda iniciou as ordenações
femininas.
Foi uma grande mudança, importantíssima! As mulheres
eram consideradas seres inferiores, que deveriam ser tocadas com
a mão esquerda, considerada impura.
Há pouco tempo o Dalai Lama
estava com um grupo de monges e pediu a uma das monjas, que é
uma monja do Havaí (que eu até cheguei a conhecer
há alguns anos atrás), discípula dele, que
conduzisse a meditação. Todos se sentaram e ela começou
a meditação de forma inusitada.
- Vamos supor que todas as imagens de Buda fossem femininas, vamos
supor que o Dalai Lama fosse uma mulher, vamos supor que quem fizesse
a recepção e servisse chá fossem os homens,
os monges, vamos supor que as mulheres todas tivessem acesso aos
níveis superiores de educação e de ensinamento,
e que os monges não...
No final o Dalai Lama chorou:
- Perdão, nunca havia pensado nisso... Nunca havia percebido
que nós discriminamos. Eu me comprometo a transformar isso,
a mudar.
Eu comecei a praticar nos EUA no começo
dos anos 80. Logo, depois de uns dois ou três meses de prática,
pedi para ser ordenada monja. Pedia insistentemente porque o meu
professor Maezumi Roshi dizia:
- Você nasceu de uma família católica cristã,
você não entende nada de budismo, como que você
vai virar budista? Não, não é assim, sem entender
não pode...
- - O tempo que senhor quiser eu fico...
Minha mãe, que é Católica
Apostólica Romana, me questionava muito.
- Por que você não se torna freira, minha filha? Se
você quer servir a Deus seja uma freira católica...
Por que escolher uma religião do outro lado do mundo?
Seu questionamento foi muito importante. Eu precisava responder
a ela. Afinal o cristianismo também viera de terras distantes.
Xaquiamuni Buda exortava seus discípulos:
- Vocês não podem ser ordenados sem o consentimento
de seus pais
O questionar de minha mãe tornou-se o meu próprio.
Estaria traindo Jesus? Então tive um sonho, uma visão,
na qual Xaquiamuni Buda e Jesus conversavam como dois grandes amigos
e tudo que me parecia tão pesado não existia. Imagine
se seres superiores ficariam discutindo, escolhendo: "este
é meu... pegou o meu, vamos brigar!" Essas são
nossas fantasias. Telefonei para minha mãe. Antes que eu
pudesse falar ela me abençoou dizendo:
- Minha filha, eu já entendi, eu a abençôo.
Você estará servindo a Deus.
Feliz, fui falar com meu professor.
Ele abriu seu calendário e marcou a ordenação.Foi
em 14 de janeiro de 1983.
Conheci nessa época, em Los
Angeles, o monge Thich Naht Hahn, do Vietnã. Ele é
um exemplo vivo de tolerância, de compaixão iluminada.
Sempre ajudou os carentes, principalmente os refugiados de guerra.
Certa feita estava na Malásia, um dos países que às
vezes aceitava, às vezes não aceitava os refugiados.
Dois barcos estavam no porto, esperando a decisão das autoridades.
O monge se esforçava tentando conseguir alimentos e água
para os refugiados. Eram mais de 800 pessoas. Estava uma noite em
seu quarto de hotel quando ouviu batidas fortes na porta:
- Polícia! Aqui está sua passagem de volta para Paris
( ele morava em Paris e até hoje vive na França).
O sr. saia imediatamente do país, o sr. está sendo
um desacato às autoridades locais, não queremos mais
o sr. aqui, o sr. saia!
- Ele disse: - Mas eu tenho pessoas, muitas, dependem de mim...
- Não queremos saber, a passagem está aqui, no primeiro
vôo amanhã cedo, prepare as malas, viremos buscá-lo!...
Ele ficou desesperado. Ele, que costumava dizer às pessoas
cheias de rancor, querendo vingança " chamem pela paz
que a paz vem, procure a paz no seu coração!"
de repente ele se viu furioso:
- Eu estou com raiva. Estão condenando à morte estas
800 famílias. Não é possível!
Sem conseguir se sentar ele caminhava pelo aposento, coordenando
sua respiração com seus passos:
- Eu clamo pela paz..., eu clamo pela paz..., eu invoco a paz...,
eu invoco a paz...
Assim respirando e caminhando foi se acalmando. Não sentiu
ódio das pessoas, do governo. Lembrou-se de alguém,
de um cartão recebido na embaixada. Telefonou, conseguiu
adiar o seu vôo algumas horas, tempo suficiente para pôr
alimento e água no navio, que pudessem pelo menos tentar
um novo porto.
É disto que precisamos
em nossa vida. Essa é a mensagem que eu gostaria de trazer
para vocês hoje. Quando nos desesperamos, quando parece que
não há solução, tantas injustiças,
indignidades contra mim, contra a humanidade... Nunca lute! Nós
não lutamos pela paz, nós construímos a paz.
É diferente. Não se luta, constrói-se com a
não-violência ativa, a ação de respeito
pelo outro, porque o ser que está agindo injustamente erradamente,
discriminando, ferindo, injuriando merece compaixão, e ensinamento.
Não há uma pessoa má, um país inimigo.
Existem situações frutos da ganância, raiva,
ignorância - os três venenos que atacam o ser humano.
Contra a ganância, existe a doação: em vez de
querer mais e mais para si, passamos a compartilhar, a doar.
Contra a raiva: a compreensão, a compaixão, a tolerância.
Contra a ignorância: a sabedoria iluminada.
Que possamos todos acessar à Sabedoria Iluminada e à
Compaixão Suprema fazendo o bem a todos os seres.
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