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Tolerância Religiosa no Brasil

Entrevista a Carolina Frossard do Portal PUC-Rio Digital

 

1. Como avalia a questão da tolerância religiosa no Brasil?

Avalio que ainda não há suficiente conhecimento e diálogo entre as várias tradições religiosas no Brasil. Mas há esboços de propostas bem interessantes. Por exemplo, faço parte da Iniciativa das Religiões Unidas, um grupo iniciado na Califórnia e que hoje se espalha por todo o mundo. Procuramos formar círculos de cooperação interreligiosa. É preciso que pelo menos três tradições estejam presentes em cada encontro. Para que haja diálogo, para que possamos nos conhecer e conhecer as tradições espirituais e religiosas do Brasil. Sabemos pouco.

O pouco contato e o pouco conhecimento podem ser fontes de discriminação e desrespeito. Então, a questão do respeito e da compreensão interreligiosa no Brasil está passando pelo processo de educação, contato e consequente colaboração.

 

2. Caso a avaliação seja negativa, que medidas devem ser tomadas, em sua opinião?

Como em qualquer caso de discriminação preconceituosa - e há pessoas que tem preconceitos contra pessoas que não seguem a sua tradição religiosa - a cura está diretamente relacionada com o contato, o encontro, o diálogo, a educação, o desenvolvimento da compaixão e do reconhecimento das inúmeras maneiras de nos conectarmos com o sagrado, de relermos nossa vida e toda a vida.

 

3. Quais são as suas expectativas para a mesa Religiões em Diálogo, da qual fará parte?

Religões em Diálogo abrem possibilidades de cura e recuperação de uma sociedade violenta. Acredito no caminho da não violência ativa para resolução de conflitos. Acredito que se todas as grandes tradições religiosas forem capazes de se unir no propósito de cirar culturas de paz, justiça e cura da Terra seremos capazes de minimizar as dores e sofrimentos do mundo. Quem sabe possamos empoderar as pessoas com a capacidade de amar, compreender, cuidar - a capacidade da compaixão? Espero que esta mesa seja um momento de sabedoria, abrindo portais de conhecimento e de relacionamentos fraternos entre seres humanos que optaram por seguir diferentes tradições religiosas. Não para impor sua fé uns sobre os outros, mas para nos enriquecermos do encontro e nos fortificarmos no propósito comum de beneficiar a todos os seres.

 

4. Qual é a importância de eventos deste tipo para a questão da tolerância religiosa?

Mais do que tolerância. Tolerar dá a impressão de ter de suportar algo extremamente desagradável, como um remédio de sabor detestável. Prefiro dizer que o encontro interreligioso, a cooperação interreligiosa abre portais de amadurecimento da espécie humana. Esse amadurecimento leva ao respeito e a possibilidade de menos violência entre humanos, menos violência de humanos contra a natureza. O respeito á diversidade da vida. Os encontros inter religiosos são uma fonte de esperança para a mudança de modelo mental de nossa espécie.

Sabemos agora que somos a vida da Terra. Que cada ser interage com o todo. Que o todo interage com cada criatura. Assim interligados e interconectados, nesta teia incessante de transformações, poderemos juntos refazer a trama do porvir. Acredito, confio na mente humana. Acredito, confio na vida. Acredito, confio na natureza Buda, natureza Iluminada, presente em cada partícula do multiverso. E por crer e confiar sei que estes encontros interreligiosos são portais de um futuro a ser construido a cada instante por todos nós.

Estamos unidos pela fé. Estamos unidos pela experiência mística. Estamos unidos pelos propósitos comuns de querer o bem a todos, de querer criar condições para que todos os seres humanos possam acessar a um estado de serenidade, tranquilidade, paz. Estado que surge ao nos tornarmos seres éticos, responsáveis e atuantes na coresponsabilidade da transformação da vida.

 

Mãos em prece

Monja Coen

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Zendo Jornal 49 t

Jornal da Comunidade Zen Budista 
Zendo Brasil
julho / agosto / setembro 2014
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