|
Entrevista sobre Deus
Entrevista sobre morte e luto
Entrevista à Folha Online - Equilíbrio
Entrevista
da Sensei Coen à Revista TPM
Entrevista
com Coen Sensei, monja zen-budista - wmulher
Monja
Coen: A missionária da paz - entrevista publicada no site
Amai-vos
Entrevista
com a Monja Coen: Próximo ao lago...
Entrevista a Max Miranda - Jornal da Manhã
Nome, idade?
Monja Coen, sessenta anos
Antes do zen-budismo, chegou a frequentar alguma faculdade?
Faculdade de Direito da PUC de SP
Casada, filhos?
Viúva, uma filha e uma neta de 14 anos
O que é ser uma monja?
É servir, cuidar, transmitir ensinamentos de Buda
Qual a função de uma monja?
Meditar, orar, trabalhar, estudar, servir, fazer cerimônias de casamento, benção, funerais, memoriais, nascimenttos, promover cursos, estudos, práticas e reflexões, cuidar, conhecer a si mesma, fazer o bem a todos os seres
O que a fez se tornar monja? Como e quando isso aconteceu?
Fui ordenada monja zen budista em Los Angeles, na California, em 1983. A minha prática era e ainda é o Zazen - literalmente sentar-se Zen, a meditação que transcende as dualidades e nos faz perceber a grande unidade.
A senhora foi influenciada por alguém? Quem?
Pelos meus mestres e mestras, monges e monjas, leigos e leigas zen budistas que encontrei e conheci, pelos poetas, pelos Beatles, pelos músicos do Pink Floyd, do Yes, por todos os yogues e gurus que meditavam, pelos monges vietnamitas,que se queimavam em praça pública protestando pela guerra, por Carl Gustav Jung, por Jose Angelo Gaiarsa e por muitas pessoas e amigos que vivem o Caminho da Sabedoria e da Comp aixão.
Porque resolveu seguir a tradição Zen Budista?
Por causa do Zazen e de Mestre Dôguen (1200-1253) que escreveu " - estudar o Caminho de Buda é estudar a Si mesma, estudar a Si mesma é esquecer-se de si mesma, esquecer-se de si mesma é ser iluminada por tudo que existe."
Como foi a aceitação da sua família quando decidiu ser Monja?
Questionaram e assim me questionei e pude responder à minha família e a mim mesma, confirmando minha vocação.
Como era sua vida antes do Zen Budismo?
Era uma jovem brasileira morando em Los Angeles, trabalhando no Banco do Brasil como secretaria bilingue, fazendo ballet todas as noites, ouvindo rock`n roll e correndo com meu cachorro pelas ruas de Hollywood .
Como fica o quesito celibato para monges budistas?
Há os celibatários e os não celibatários. Depende da ordem em que estão inseridos.
Qual o significado de raspar a cabeça?
Fazer o que fazem todos e todas as Budas - sair das castas, estar além do mundano
O que a senhora acha da reliogiosidade dos jovens de hoje.
Religiosidade, espiritualidade, busca - os jovens de hoje tem a responsabilidade de levar adiante todo o passado da humanidade.
E como disse o poeta, "seus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais do que a mão de uma criança.
O que é deus para a senhora?
Não sei
Ao vir para o Ocidente, o Budismo passa por alguma adaptação?
Tudo está sempre em constante transformação.
O Budismo tem várias linhas, quais são as principais diferenças do Zen
Budismo das outras linhas?
A ênfase no Zazen como portal principal para a casa do tesouro, nosso tesouro sagrado.,
O que a Senhora aconselharia para quem está iniciando no Zen Budismo agora?
Sentar-se e observar sua postura, sua r espiração, seus pensamentos e não pensamentos.
Como a Senhora definiria o Zen Budismo?
Como a própria vida não há uma definição capaz de limitar o ilimitado
A senhora já conheceu várias partes do mundo? O que mais gostou e o que a
deixou mais triste?
Gostei de encontrar seres humanos, semelhantes e diferentes, à procura da felicidade, da inclusão, do amor, da sabedoria, do compartilhamento e da paz.
Entristece ver a pobreza, a miséria e as soluções violentas para a resolução de conflitos
Podemos resolver nossos conflitos de maneira não violenta - através do diálogo, da compreensão.
é preciso treinar, treinar, praticar, praticar - praticar Buda. Pois todos e todas somos seres iluminados.
Entretanto, se não houver prática não haverá realização.
Que todas as pessoas possam ser felizes e encontrar a compleição .
Que todas as Budas e Bodhistavas abençoem todas as mulheres nesta tarefa comum de construirmos uma Cultura de Paz, Justiça e Cura de nossa mãe comum, a Terra.
Monja Coen
(Mãos em Prece)
da Folha de
S.Paulo - 28/06/2001 - por Bell Kranz
Saiba quem
é a Monja Coen
Nome:
Monja Coen
Profissão: religiosa
Nascida em 1947
O que faz: missionária da tradição japonesa
Soto Zen, leva a prática da meditação aos frequentadores
dos parques da cidade de São Paulo
Filosofia de vida: zen, "estar muito ligado no momento, na
sua vida, é pé no chão, não é
voando lá nas nuvens. Se no presente eu fizer o melhor que
posso, vou ter melhores resultados no futuro"
Monja ensina
meditação nos parques
"São loucos?" "Fanáticos
religiosos?", perguntavam baixinho as pessoas. "Não,
ela é monja budista", explicou acertadamente o senhor
idoso à sua esposa, entre as centenas de pessoas que olhavam
embasbacadas a fila indiana que seguia uma monja no parque.
A cena aconteceu no último 17
no parque da Aclimação. E a monja em questão
é Coen Murayama, brasileira de 53 anos, que viveu 12 no Japão,
em clausura e internato, e é missionária da tradição
Soto Zen.
Todos os domingos, sempre às
10h, ela pratica meditação com os frequentadores de
um parque da cidade no evento batizado de Caminhadas Zen. Entenda
do que se trata na entrevista abaixo.
Folha - Como surgiu a idéia
da Caminhada Zen?
Monja
Coen - Eu comecei a pensar no que o zen budismo podia oferecer ao
país, às pessoas. Não adianta termos só
um templo fechado, em que o acesso é limitado a poucos. E
a cidade está estressada, há muita violência.
Acho que uma das maneiras de a gente batalhar pela não-violência
é fazendo o voto de não-violência. E ele só
é possível quando entramos em contato com a essência
do nosso ser. Isso é meditação. Só que
as pessoas acham muito incômodo ficar sentado durante a meditação.
Folha - Em posição
de flor de lótus?
Monja Coen - É, ou meia lotus. Existe um monge vietnamita
em Paris, que fala de meditar caminhando. Inspirada no trabalho
dele, pensei na caminhada em meditação nos parques.
Folha - E como ela é feita?
Monja Coen - A gente anda em fila indiana. A idéia é
que, a cada passo, a gente sinta a própria respiração,
o ar à nossa volta, os sons, os odores. Nós até
abraçamos árvores para sentir a força estável.
Folha - Por que abraçar as
árvores?
Monja Coen - Pelo seu tamanho, sua idade. As árvores têm
uma estabilidade, uma força muito grande.
Folha - Para muitas pessoas, zen
ainda carrega a conotação de estar "na lua",
em estado de alienação, mas é exatamente o
oposto, não?
Monja Coen - Exatamente. Zen é estar muito ligado no
momento, na sua vida, é pé no chão, não
é voando lá nas nuvens. Tem que estar inteiro no que
está acontecendo, pois esse momento traz em si todo o passado
e o futuro. Se no presente eu fizer o melhor que posso, vou ter
melhores resultados no futuro. Mas, com a ansiedade e o estresse,
só pensamos lá atrás ou lá adiante.
Folha - Como está sendo a
receptividade das caminhadas?
Monja Coen - Na primeira vez, vieram 12 pessoas. Na segunda
vez, 20. Na terceira, que foi no parque da Água Branca, vieram
50. Perguntei o que as pessoas acharam, e elas responderam que há
tempos não lembravam o que é andar, respirar. Ficaram
gratas, emocionadas. Uma senhora, no parque da Água Branca,
disse assim: "Há anos eu venho aqui e andei hoje por
lugares que nunca havia andado antes. Nunca vi as coisas como hoje".
Porque dá outra percepção, a gente fica muito
alerta à luz, à sombra, ao calor, ao frio, à
textura do solo. Andamos vagarosamente, sentindo o chão.
Folha
- A senhora acha que, depois do primeiro contato, as pessoas vão
dar continuidade à prática da meditação?
Monja Coen - Nas nossas maiores dificuldades, se pudermos dar
uma paradinha, uma andada lenta, uma respirada, podemos encontrar
soluções pacíficas, mais justas, inclusivas.
Reagindo na emoção, ficamos muito embrulhados.
Folha - É preciso ser budista
para meditar?
Monja Coen - Não, não tem nada com o budismo.
Todas as religiões têm meditação. O pessoal
dos beneditinos faz a meditação por canto, os judeus
têm a sua parte meditativa, os islâmicos também.
Folha - A idéia da meditação
é a mesma em todas as religiões?
Monja Coen - Sempre. Que a gente possa atingir o ser essencial,
que é todo aquele espaço onde nem as palavras vão
-nem os conceitos.
Folha - Como isso funciona no dia-a-dia?
Monja Coen - São coisas simples. Um outro monge falava
assim: "Quando o telefone tocar na sua casa, não atenda
correndo. Ao primeiro toque, pare, respire e aí você
vai atender". Só isso já faz uma mudança
na sua vida incrível. Toca a campainha da porta, e as pessoas
já ficam ansiosas. O som é para você parar e
respirar, aí vai ver quem é. Porque aí você
já se centralizou.
Folha - Não vai agir de forma
impulsiva?
Monja Coen - Vai ser capaz de agir, e não de reagir.
A idéia é que a gente possa centralizar. Muita violência
é causada pela falta dessa centralização.
Folha - Quando a caminhada em fila
indiana passa nas áreas mais movimentadas do parque, o público
fica paralisado. As pessoas parecem outdoors ambulantes da meditação.
Isso não atrapalha a concentração dos iniciantes?
Monja
Coen - Eu também não gosto. Mas a idéia é
levar isso para a nossa vida. Dentro do mato, por exemplo, tudo
é muito agradável. Mas os outros seres humanos incomodam,
estão olhando, acham bonito, feio. E é isso que a
gente tem que desenvolver, a centralização. Faço
aquilo que é certo, independentemente do que os outros acham.
Quanto aos outdoors, estamos dizendo para os outros: vocês
também podem fazer isso. Caminhar em silêncio é
bom, não é preciso ficar falando o tempo todo.
voltar
ao alto |