| Segunda mensagem enviada pelo Vitor da Índia:
Carta Aberta ao Lama Padma Samten
Querido Lama Samten,
Decidi escrever esta carta aberta para ti, pois desejo transmitir a mais pessoas a alegria das informações que aqui compartilho.
No momento que escrevo, é final de tarde, aqui nas montanhas do Himalaia, os pássaros cantam com mais intensidade que os de Curitiba. Do quarto, onde pratico meditação silenciosa, todas as manhãs, posso ver pela janela dois picos montanhosos revestidos de gelo.
Tenho aula de yoga,todos os dias, bem puxadas, onde percebo ocorrer uma intensa transformação no corpo, principalmente em força e flexibilidade.
A cidade não é limpa, tem um índice alto de mendigos per capita, mas está repleta de monges, para receberem os ensinamentos de Sua Santidade.
Normalmente aí no Brasil temos uma visão romântica dos monges, a maior parte é colocada no mosteiro pelos pais, faz parte do processo
cultural-educacional, mas não é a vocação, parece que aproximadamente 10% se comportam e praticam como monges "from the heart".
De qualquer forma, temos boas surpresas por aqui, no começo desta semana passava pela rua, e a responsável por um Centro de Dharma de Los Angeles, que conheci através do Gabriel, chamou: Vitor, Vitor, venha aqui, quero lhe apresentar o mestre do Karmapa, dizem que um dos maiores mestres em sabedoria, chamado Kenfu Ringchen Rinpoche (não sei se escreve assim). Nem acreditei, eu, no meio da rua, trocando cumprimentos com o mestre do Karmapa.
Hoje, estava andando com uns amigos de Israel, que me convidaram
para receber bênçãos do único jovem, que esta próximo ao altar com o Dalai
Lama, junto com os outros mestres, a reencarnação de Shantideva. Fiquei sinceramente emocionado, depois de estudar por um ano O Caminho do Bodisatva no CEBB-Curitiba, receber a benção do jovem Shantideva é algo marcante.
Os ensinamentos de Sua Santidade são dados em duas horas e meia pela manhã,e duas horas e meia pela tarde.
Passaram-se dois terços dos ensinamentos de Sua Santidade, como disse antes, estamos estudando o Grande Tratado do Caminho da Iluminação, de Tsongkapha, o mesmo que tem o comentário do Pabongka Rinpoche. O Tratado foi traduzido para o inglês em 2000, por um grande grupo de tradutores, do qual o Alan Wallace faz parte. Segundo o Robert Thurman, que faz o prefácio, é uma das maiores obras da religiosidade da história da humanidade. São três volumes, de aproximadamente 350 páginas cada. Estamos estudando tudo, lendo o texto durante o dia, e revisando a noite. No mosteiro de Tushita, eles fazem uma revisão diária, mas é muito básico,pois existem muitos praticantes de primeira viagem, portanto, tenho feito as revisões por conta. O rítmo de estudo é de aproximadamente 100 páginas por dia.
O texto é bem profundo e abrangente, falando das práticas do Hinayana, Mahayana e Vajrayana, e coloca as meditações Shamatha e Vipasana em especial destaque. É um texto para ser usado como roteiro de prática por toda a vida. Sua Santidade tem usado este Lamrin como base para todos os mais importantes ensinamentos deste ano.
Ontem, o Dalai Lama deu alguns recadinhos:
Convidou todos para seu aniversário, quando fará a cerimônia de votos de Bodisatva.
Comentou que existe um excesso de luxo no tratamento dos Tulkus, eles são monges e devem ser tratados como tal.
Que a estrutura monástica de ensino precisa ser modernizada, permitindo que as monjas recebam os títulos de Geshe.
Que é necessário se preocupar com a qualidade do ensino, pois o titulo de Geshe tem sido dado com muita facilidade.
Que é fundamental o diálogo com a ciência ocidental, e a modernização do modelo de ensino.
Que admira a estrutura eclesiástica católica, pela capacidade de benefício social que gera (hospitais, escolas), e que os monastérios tibetanos devem se preocupar com isto.
Estive como Gabriel, agora, monge Tempel, este fim de semana, preparando detalhes do curso de economia para os monges do mosteiro do Dzongsar. Foi uma alegria encontrar o Gabriel, conversamos muito. Ele passou por grandes dificuldades por aqui, mas como da lama surge o lótus, hoje vejo nele uma pessoa muito madura, com um bom inglês, e o mais bonito, falando em tibetano, com os monges, no templo, nas ruas, nos restaurantes.
Lindo é que muito do crédito desta superação que ele conseguiu realizar, ele destina ao Lama Samten, ao conhecimento de Prajna que o Lama transmite aos seus alunos, que fica de tal forma registrado na mente, que cruzamos todos os outros ensinamentos de uma forma muito, muito rica.
O mosteiro que ele está, utiliza uma estrutura de ensino rihme (não sectarista), muito desejada pelo Dalai Lama, e que também por vontade do Dzongsar Khyentse Rinpoche, vai trazer professores ocidentais.
Economia foi o primeiro assunto solicitado pelos monges.
Sinto o mesmo que o Gabriel por aqui, apesar de não estar próximo das atividades do Lama, e estar seguindo outros caminhos, Prajna esta registrado em minha mente também, e com isto, cruzo todos os valiosos
ensinamentos que recebo, tendo o Lama como mestre que abriu os caminhos, que permitiu que toda esta sabedoria pudesse ser assimilada e entendida.
Tenho contigo, e acho que o Gabriel também, uma gratidão por muitas vidas.
Paz. Vitor "Padma Sherab".
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