| CANAL
BUDA
A televisão nos ensina
tantas coisas. Internas e externas. Minha Superiora no Mosteiro
do Japão dizia que nossa mente é como um aparelho
de televisão. Primeiro, é preciso verificar se está
ligado à eletricidade, se está conectado. Segundo
se as antenas estão bem alinhadas, capazes de captar com
clareza, sem “fantasmas”, sem distorções.
Terceiro, podemos escolher qual o canal que queremos assistir, qual
programa. E ela sempre dizia que deveríamos ligar para o
canal Buda, “mantendo as antenas receptíveis”.
Se não estivermos receptíveis
aos ensinamentos de nada adianta estudá-los, pois na verdade
não os estaremos estudando.
Havia um monge que acordava
todas as manhãs muito cedo. Ele era o primeiro a se levantar
e rapidamente se colocava na posição de meditação.
Fizesse frio ou calor. Nevasse ou chovesse. Era imbatível
em sua decisão de tornar-se iluminado. Qualquer intervalo
nos trabalhos de manutenção e limpeza do templo, recepção
de hóspedes e novos monges, preparação dos
banhos, celebrações e preces, aulas, estudos e costuras,
nos intervalos ele se punha a meditar. Meditava sobre pedras, nas
encostas da montanha, na beira de precipícios. Meditava em
árvores, tanto à sombra delas como empoleirado nos
galhos altos. Não queria adormecer. Chegava a colocar peso
na cabeça. Fazia mil peripécias para manter-se desperto
e encontrar a iluminação superior.
O seu mestre o observava e um
dia, aproximou-se do monge que se sentara a meditar.
- O que você está
fazendo, meu filho?
- Estou meditando, respondeu
o jovem monge.
- Para que?
- Para me tornar Buda, respondeu.
- Ah!
O velho mestre sentou-se a seu
lado e começou a polir uma telha de barro. Raspava e esfregava
com muita concentração. Passados alguns minutos o
monge em meditação perguntou ao mestre:
- Senhor, o que está
fazendo?
- Estou polindo esta telha.
- Para que?
- Para fazer um espelho.
- Ah?
De repente entendeu. Levantando-se
foi se ajoelhar frente ao mestre, olhos brilhando de profunda alegria
e gratidão. O Mestre havia realmente espelhado o monge e
a imagem refletida foi capaz de iluminar sua vida.
Se não estivermos receptíveis
não compreendemos nada.
Então, como andam nossos
aparelhos de TV? Será que os dramas, os crimes, as palhaçadas,
as bobagens, o suspense nos deixam presos, incapazes de mudar de
canal? Ou será que temos o controle (remoto ou não)
e decidimos a viver Buda. Viver com sabedoria e alegria, compaixão
e ternura. Essa história de gente furiosa, gritando, xingando,
tramando, não é legal. As novelas, os dramas, os suspenses,
nos mostram o que não ser, como não ser, como olhar
e perceber – será que sou assim? Oops. É horrível,
devo mudar. Entretanto, se não estivermos abertos a aprender
vamos ao contrário absorver os comportamentos errôneos
e nos julgarmos iguais aos atores nos papéis...
Qual o seu papel nesta vida?
Pense bem. Reflita. Nasci para que? De que vale a vida?
Questione-se e se mantenha ligado. Antenas antenadas. Canal Buda.
Programa Sabedoria Suprema e Compaixão Infinita. Garanto
que não há nada melhor. Pode tentar.
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