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2571
Namu Xaquiamuni Buda
De acordo com estudiosos japoneses iniciamos o ano de 2571 da Era de Xaquiamuni Buda.
Refletimos.
Ano Novo.
Retrospectiva do ano anterior e dos anteriores. Nestes últimos dois mil, quinhentos e setenta e hum anos o que fizemos?
Construímos civilizações e as destruímos. Construímos casas, palácios, povos e os destruímos. Nos unimos contra um mal comum e nos separamos tornando o mal comum.
Criamos armas mortíferas. Matamos e morremos. Criamos remédios. Curamos e fomos curados.
Saudáveis seres se dedicaram aos adoentados.
Doentes permitiram aos saudáveis que os servissem.
Comunidades de diferentes valores e humores se uniram e se separaram.
As árvores cresceram fortes. As florestas foram devastadas.
As águas surgiram límpidas das fontes puras e se tornaram turvas e poluídas nos rios baixos, nos canos das casas, nas pias, nos esgotos, nas fossas abertas nas ruas.
A terra se entregou colorida e fértil. Foi violada e se tornou seca e dura.
Descobrimos meios de reaproveitá-la, de irrigação, de adubos. Floriram os campos e as serras.
Criamos sementes e embriões. Matar as fomes, criar a vida. E nos vimos, pequeninos, culpados e feridos ao perceber que a nossa criação também morre e mata.
Tentando e aprendendo, tecendo a trama da vida, humanidade se perde em batalhas que destroem todo o carinho e o respeito. Viramos feras medonhas, capazes de crimes terríveis, sem a menor compaixão, estuprando e destroçando, crianças, mulheres, homens, homosexuais, matas, águas, cidades, nações.
Nos perdemos nos venenos da ganância, raiva, ignorância.
Procurando por poder, felicidade, lazer, consumimos mais do que precisamos.
Engordamos luxurientos sem ouvir dos pobres e fracos os lamentos.
Seguindo caminhos sagrados, praticando os ensinamentos deixados por mestres sábios e procurando em nós encontramos Xaquiamuni Buda. Então tudo se transforma. A corrida ganha outra forma, as tarefas, os prazeres se transformam.
Paramos por um momento.
Percebendo o que nos cerca, que mundo é este em que estamos e como podemos amenizar de todos o sofrimento.
Sem extremos.
Zazen que nos abre os olhos. Direito, esquerdo e terceiro.
Zazen do despertar. Ver por dentro e por fora. Ver mais longe do que a vista pode alcançar.
Zazen de fazer o bem, sem jamais se cansar.
Que seja um ano – se anos existem e se dividem apenas como expedientes para nos encorajar – de muito Zazen, penetrando o Samadhi dos Budas Ancestrais.
Que seja um ano bom para o Despertar.
Que possamos construir a Terra Pura e Sagrada onde juntos plantamos e colhemos, compartilhamos e cuidamos ternamente da vida.
Ética da vida. Vida cuida da vida em vida. Todas as vidas.
Namu Xaquiamuni Buda.
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